Vinhedo A Polícia Civil de Vinhedo (269 km de Bauru) vai indiciar 11 pessoas sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção) pelo acidente que matou uma jovem no Hopi Hari. O presidente e o vice-presidente do parque estão entre os responsabilizados.
“Todos foram omissos, negligentes e imprudentes, alguns mais do que outros, mas cada um teve uma participação que resultou no acidente”, disse o delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior.
Depois de receber os indiciamentos, o Ministério Público terá 15 dias para oferecer denúncia à Justiça.
Gabriella Yukari Nichimura, 14, morreu em 24 de fevereiro após cair do brinquedo La Tour Eiffel, um elevador que simula queda livre. Ela usou uma cadeira que não tinha o sistema de trava acionado e deveria estar inoperante.
Segundo o delegado, um dia antes do acidente três técnicos tiraram uma peça desse assento para colocar em outro e, na operação, um deles notou que o colete de segurança se abria na descida. “Um falou para o outro, mas ninguém lembrou de travar o dispositivo”, disse.
No dia seguinte, o operador Marcos Antônio Leal viu que o colete estava “frouxo” e poderia ser aberto. Mesmo assim, nem ele nem os outros operadores notaram que a garota se sentou no local.
O presidente do parque, Armando Pereira Filho, e o vice-presidente, Cláudio Guimarães, serão indiciados, segundo o delegado, porque não cumpriram com a obrigação de informar sobre o perigo que o visitante corria na cadeira.
Guimarães disse considerar uma “injustiça” ter sido indiciado. “Durante 12 anos o parque manteve a cadeira travada e segura, portanto não tinha necessidade de sinalização”. Se condenados, os 11 poderão cumprir pena de um a três anos.
O parque afirma que o indiciamento não significa condenação e que aguardará decisão judicial. Diz ainda que o caso foi uma “fatalidade” e que implementou outros procedimentos de segurança.
O defensor de Vítor Igor de Oliveira e Marcos Antônio Leal, Bichir Ale Bichir Junior, afirmou achar “louvável” a direção do parque ter sido indiciada. Os pais de Gabriella afirmaram que, embora não apague a tragédia, a Justiça irá demonstrar que os responsáveis não ficarão impunes.