Foi em uma matéria sobre a avenida Rodrigues Alves que a equipe de reportagem do Jornal da Cidade presenciou a restauração de um hotel, localizado no numeral 2-41 da mesma via. A data de 1912 estampada na fachada chamou a atenção pelo fato de ser, ou “quase ser”, centenária, mas ninguém sabe relatar ao certo quem foi o primeiro proprietário do imóvel nem o dia exato de sua inauguração.
As buscas pela história começaram com o atual locatário, o construtor José Nicolau Ferreira Neto, 41 anos, que já teria apresentado proposta de compra do imóvel. “Este hotel estava abandonado há quase quatro anos, deteriorado, invadido. Então descobrimos que era de propriedade, atualmente, da Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru. Fizemos a proposta e começamos a reforma interna. Hoje já fazemos a reforma externa”, contou Ferreira Neto.
O prédio possui aproximadamente 3
m² de área construída e 15 dormitórios, que já são ocupados por alguns moradores mensalistas. A segunda parte da procura pelo primeiro dono do ‘hotel centenário’ foi no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru.
No dia 23 de outubro de 2
3, foi publicado no Diário Oficial de Bauru o decreto de número 9.593, de 2
de outubro do mesmo ano: “Fica tombado o imóvel de propriedade da Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru, localizado na avenida Rodrigues Alves, 2-41, preservando-se a fachada frontal (portas, janelas e esquadrias originais de madeira, gradis de ferro, adereços de argamassa e cobertura) e lateral voltada para a rua Monsenhor Claro, considerando-as integralmente em seu conjunto”.
Prospecção da cor
O presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Codepac) de Bauru, Sérgio Losnak, explica que, para descobrir qual a real cor do prédio, foi necessário realizar um processo de prospecção. “A cor ainda não é a ideal. O processo de prospecção, que é a retirada das camadas de tinta, já foi feito”, disse.
Depois de tentar vários contatos, até com o historiador bauruense Luciano Dias Pires, a reportagem do JC apurou apenas que, há cerca de 8
anos, o prédio foi doado à Sociedade Beneficente Portuguesa de Bauru. No entanto, o primeiro proprietário deste imóvel continua sendo um mistério para a memória da história da cidade.
Restauração
Um dos profissionais que atuaram na restauração do imóvel foi Ricardo Henrique Monteiro Shinada, 33 anos, paisagista artístico. Usando material com 75% de areia, com as mãos ele moldou toda a fachada do imóvel. “Há dois meses estou fazendo a fachada. Sou paisagista artístico autodidata. Fiz tudo isso com as mãos”, disse.
Para ele, mais valioso do que mostrar o seu trabalho, é ter a oportunidade de recuperar um patrimônio histórico bauruense. “Já tinha desejo de expor esse meu trabalho e agora estou feliz por proporcionar algo para a cidade”, opinou.