Regional

Cratera ameaça leito de ferrovia

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Avaí – Uma enorme cratera que se formou perto dos trilhos da ferrovia na aldeia de Araribá no município de Avaí (13 quilômetros de Bauru) ameaça área de proteção ambiental.

 

A erosão encontra-se no km 4,2, na alça de acesso que liga a rodovia AVI 4

, que fica paralela à ferrovia. No local já foi instalada placa com aviso de “buraco”.

 

A América Latina Logística (ALL) vem sendo responsabilizada pela não manutenção da área. A assessoria de imprensa da companhia ferroviária informou que vai enviar uma equipe hoje ao local (leia texto abaixo).

 

O professor de Ciência Humanas e morador da aldeia Tereguá Erickson Sebastião Cruaia, da etnia terena, declarou ao Instituto Vidágua que o avanço do buraco tem causado transtornos à comunidade da região: “Sou usuário da estrada, uso aquele caminho para ir para minha casa. Nossa produção de agricultura também passa ali. Se não tomarem uma providência, com o tempo já não tem mais estrada. Complica para nós, como agricultores e como usuários também”. 

 

Ele conta que à noite a situação piora por causa da neblina, que prejudica a visibilidade, aumentando o risco para quem passa pela estrada. “Se vem um carro mais acelerado, como uma ambulância de socorro que passa com urgência, é fácil cair no buraco”. 

 

Peruas escolares também utilizam a via. Cansados de esperar uma providência dos responsáveis pelo problema, os próprios índios começaram um trabalho de tentativa de contenção da erosão. Eles instalaram poleiros artificiais em locais estratégicos ao longo do buraco.

 

Representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Instituto Vidágua já estiveram visitando a área e constataram o problema. Ontem foram distribuídas fotos à imprensa para mostrar a cratera.

 

O trecho do rio Araribá, que fica próximo à erosão, recebe grande quantidade de terra, que desliza do buraco e se deposita ali. Entulho e sujeira dos vagões abandonados, e pedras e ferros que descem da linha do trem também vão parar no rio. O solo foi bastante degradado, prejudicando o costume terena de trabalhar com argila. “É da nossa cultura trabalhar com argila, fazer panela, prato, costume terena mesmo. Já não se encontra mais argila ali”, lamenta Erickson.

 

Segundo Anézio Coelho de Souza, engenheiro agrônomo e técnico da Fundação Nacional do Índio, o buraco em Araribá se desenvolveu devido à falta de manutenção na ferrovia.

 

“Os responsáveis pela manutenção da via férrea deveriam fazer roçada e capina do mato que cresce ao longo dos trilhos. Deveriam também fazer a limpeza e reparo constante das calhadas de escoamento de enxurradas. É preciso ainda fazer a correta manutenção das estruturas que quebram a energia do escoamento da água no final das calhas”, explica Anézio em nota distribuída pelo Instituto Vidágua.

 

Não é o único problema enfrentado pela aldeia na área. Há poucas semanas, a ALL foi obrigada a remover vagões abandonadas por determinação do Ministério Público Federal (MPF), acionando também a agência reguladora de transporte terrestre federal. 

 

 

 

Verificar o local

 

A América Latina Logística (ALL) informou ao JC ontem à tarde que vai enviar uma equipe ao local da erosão para realizar uma análise técnica. Se confirmada a interferência da estrutura ferroviária no processo de erosão, a ALL vai tomar todas as medidas necessárias para resolver o problema, informa. 

 

A empresa esclarece que realiza periodicamente a manutenção e a limpeza da linha férrea em toda a malha sob sua concessão, inclusive nos trechos em que não há operação ferroviária.

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