Blumenau
Imigração alemã
Outubro ainda está longe, mas os preparativos para a realização da Oktborfest já começaram em Santa Catarina e em especial na terra do chope e do chucrute: Blumenau. A festa é a maior e mais autêntica expressão da cultura alemã no Brasil.
Durante três semanas, seus moradores revelam sua cultura, o amor pela música, os pratos típicos na segunda maior festa da cerveja do mundo que atrai mais de 1 milhão de pessoas.
Cópia da festa homônima alemã, realizada pela primeira vez em 1810, em Munique, para homenagear o casamento de Luís I, que se tornou depois rei da Baviera, com a princesa Tereza da Saxônia, a primeira Oktoberfest brasileira foi realizada em 1984.
Foi um trabalho para resgatar a estima de seu povo, que sofreu muito com as enchentes que assolaram a região no ano anterior. Cidade refeita, festa nas ruas. Que não mais parou, preservando tradições alemãs, italianas, polonesas, portuguesas e de outras etnias.
Hoje, a Oktoberfest é o carro-chefe de um grande circuito de festas catarinenses, que envolvem mais de uma dezena de cidades. Além do chope e da gastronomia típica alemã, pratos à base de carne de porco e caça são servidos em abundância, entre eles o Einsbein (joelho de porco cozido), Kassler (bisteca de porco defumada ) e o marreco recheado com repolho roxo, não faltam durante os dias da festa as apresentações de danças típicas. Grupos folclóricos alemães preservam o intercâmbio entre as raízes germânicas.
Depois dos pratos salgados e da dança, todos se entregam a outra delícia alemã: o café colonial, que tem iguarias finas como a "apfestrudel" (massa folhada recheada com maçã, passas e nozes) e pão caseiro coberto com uma camada doce e branca com nata.
Os açorianos na bela e Santa Catarina
Corria o ano de 1746 quando os moradores do Arquipélago dos Açores, localizado no Atlântico Norte e composto por nove ilhas - São Jorge, Terceiras, Faial, Pico, São Miguel, Graciosa, Santa Maria, Flores e Corvo - sofrendo constantes abalos sísmicos terrestres ou submarinos, solicitaram ao rei de Portugal, Dom João VI, permissão para emigrar para o Brasil.
O desejo de açorianos, como também de madeirenses, de transferirem-se para o Brasil, coincide com os interesses da Coroa Portuguesa. É a atividade povoadora dando cobertura aos objetivos políticos.
Em 1742, o brigadeiro José da Silva Paes, primeiro governante de Santa Catarina, construiu várias fortalezas no Estado para organizar a defesa da capitania e sugeriu ao rei o aumento da povoação.
Para tanto, foi desenvolvida uma ação que se concretizou com a vinda de casais açorianos, que se fixaram ao longo do litoral catarinense, a partir de 1748. Calcula-se que chegaram a Santa Catarina cerca de sete mil pessoas.
Imigrantes, que acostumados ao solo de suas ilhas, que era de origem vulcânica, altamente fértil, tiveram que se adaptar aos terrenos de areia e mangue encontrados na Ilha de Santa Catarina. Acostumados ao cultivo do trigo, por exemplo, tiveram que, aos poucos, adaptarem-se ao plantio e consumo da farinha de mandioca como base da alimentação, a ponto de, em 30 anos, já haverem criado cerca de 300 engenhos de farinha de mandioca e açúcar.
Por outro lado, o açoriano mantém a continuidade da tradição pesqueira. Sua chegada coincide com a implantação e desenvolvimento das armações de baleia. Assim, passam a desempenhar aquela atividade em alto-mar. Em decorrência disso, começa a aparecer a construção naval.
A renda de bilro
A produção doméstica de panos de linho e de algodão foi significativa e poderia ter sido o berço de uma florescente indústria de telecelagem.
Mesmo assim, permaneceram os trabalhos das rendeiras. Ainda hoje vêem-se mulheres rendeiras em torno da Lagoa da Conceição e outros pontos de Florianópolis (SC) e cidades colonizadas por açorianos realizando lindíssimos trabalhos de traçar as linhas.