Pesca & Lazer

História de Pescador: Pescador Ninja


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Como não existem duas impressões digitais iguais, também não existe pescaria igual. Pode ser no mesmo local com as mesmas pessoas, não tem como! As situações são outras, as coisas mudam e sempre acontece algo inusitado e diferente. Aí é que reside a paixão por estes salutares e agradáveis momentos que passamos junto à natureza e aos nossos queridos amigos.

Este fato aconteceu durante uma pescaria realizada no município de Cardoso, divisa com Minas Gerais, entre Riolândia e Mira Estrela, junto à foz do rio Turvo, que nasce na cidade de Monte Alto (SP) e é importante tributário da margem esquerda do rio Grande.

Ali temos o lago formado pela barragem de Água Vermelha e estávamos neste local, atrás dos brigadores tucunarés. Era de manhã e saímos em dois barcos. O primeiro tinha uma turma mais ousada e corajosa, que pescava desembarcado e não tinha medo de sucuri, que, dizem, infestam aquelas águas. No outro barco estava o pessoal, digamos, mais conservador, protagonistas do ocorrido.

Nosso guia, velho conhecedor de todos os pontos bons e ruins daquelas paragens, tanto na vazante quanto na cheia, nos levou a um braço do rio em que havia uma galhada submersa e que, na época, mostrava somente uma pontinha de galho.

Paramos em frente, e da margem, com água ao peito, começamos a tentar fisgar alguns bocudos. O outro barco, cujo piloteiro era novato e não conhecia bem a região, apoitou à nossa frente e começou a pescar no mesmo ponto, mas embarcado.

Nós, que estávamos na água, conseguimos tirar uns dois ou três tucunarés, bem como o piloteiro do barco à nossa frente, que estava pescando em pé na proa do barco. Os "tucunas", como de costume, eram colocados em fieiras e deixados dentro d?água para resistirem até o final da pescaria.

O pessoal do barco não pegava nada, a não ser o piloteiro, como já disse. Estávamos naquele marasmo entre uma fisgada e outra, quando avisei meus parceiros do lado sobre o comportamento estranho de um dos pescadores embarcados. Ele tinha deixado a vara de lado e estava com os olhos fixos na água e com o braço erguido e os dedos polegar e indicador em riste - em posição de ataque. Parecia uma garça pronta para dar uma bicada num inocente peixe desavisado.

Os colegas não perceberam sua atitude, pois estavam virados para o outro lado, mas da margem tínhamos uma visão privilegiada de tudo. Ele foi se aproximando da água bem de mansinho naquela posição típica de praticante de artes marciais e, num piscar de olhos, meteu a mão na água tentando pegar alguma coisa! Ficamos espantados com aquilo e perguntamos o que estava acontecendo. Ouvimos então uma resposta inesperada e inacreditável!

"Tem tucunaré dando sopa aqui ao lado do barco e vocês aí perdendo tempo com varas, iscas e tudo mais." Por incrível que possa parecer, ele não tinha tomado nenhuma latinha ainda, e, mesmo assim, estava tentando pegar os peixes da fieira com a mão, pensando que era algum tucunaré suicida, que estava ali dando mole para o azar! O piloteiro, quando soube do fato, por pouco não caiu na água, de tanto rir.

Além de boas risadas, essa cômica ação nos rendeu benefícios! Com um treinamento intensivo, aprimoramos a técnica do nosso colega aprendiz de ninja. E aí foi só "macuco no emborná"!

Como era fase de lua cheia, quando a pesca durante o dia não era produtiva, saíamos à noite, com uma boa lanterna a tiracolo, acompanhados do nosso "pescador" para uma piraquera diferenciada. Nas águas rasas das margens, seletivamente, capturávamos os melhores bocudos, só que, em lugar de fisga, tínhamos a "mão santa" do nosso habilidoso parceiro.

Edson de Almeida Pescador e contador de causos

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