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No domingo (15), o grupo conseguiu, formar, no céu, uma figura que lembra um diamante |
Nove minutos separavam Guilherme Augusto Silveira Assis de integrar a equipe recordista brasileira de formação com paraquedas abertos, modalidade conhecida como Trabalho Relativo de Velame (TRV), na quebra da própria marca atingida no dia anterior com uma formação com nove paraquedas. O que o paraquedista não esperava é que logo após saltar do avião, em Piracicaba, no último domingo, ele viveria a experiência mais dramática em sua carreira de 13 anos e mais de 3.100 saltos.
O TRV objetiva vencer o desafio de voar com a mesma velocidade vertical em uma formação com o maior número de paraquedistas. A equipe integrada por Guilherme bateu o recorde brasileiro com uma formação de nove atletas, todos brasileiros, no último sábado e, no domingo, o objetivo era voar com 12 paraquedistas. Guilherme ocupava a posição quatro, chamada de base, e relata que logo nos primeiros dois minutos de queda outro paraquedas da formação, de Fábio Campanha, se enroscou em seu corpo. “No momento em que eu entrei na formação, o tecido do paraquedas do Fabinho veio para dentro da formação e abraçou meu corpo. Isso quebrou a formação e ficamos nós dois enroscados”, conta.
Ambos mergulharam em uma queda livre que durou mais de um minuto e poderia ter tido consequências fatais. Porém, o controle emocional dos paraquedistas, o respeito às normas de segurança e a experiência dos envolvidos foi determinante para que tudo não passasse de um susto. Os paraquedistas se comunicaram e conseguiram se soltar, vencendo a situação crítica em que se encontravam. A partir daí, Guilherme tratou de se livrar do incômodo paraquedas vizinho, que o impedia de acionar seu equipamento. “Quando nos soltamos, a tensão diminuiu muito e eu tive oportunidade de enxergar onde estava preso o paraquedas no meu equipamento. Já não estava mais no meu corpo. Aí, utilizei a faca e cortei as linhas do paraquedas que estava preso e consegui pousar. Ele (Campanha) pousou com o paraquedas reserva”, relata.
Com uma tranquilidade espantosa, Guilherme afirma que toda a ação de se desvencilhar e cortar o paraquedas que estava preso a ele foi dentro de uma margem de segurança. “Depois que eu cortei, ainda naveguei uns dois minutos até pousar. Ou seja, sobrou tempo. Tive tempo ainda de escolher uma área de pouso dentro do aeroporto. O reserva pousou um pouquinho fora do aeroporto, mas em uma área limpa e plana. Tudo dentro do planejado”, observa. O paraquedista afirma que situações de risco como esta de colisão são esperadas quando se pratica o TRV. “Apesar de ser uma coisa difícil de acontecer, era previsto este enrosco devido à característica da modalidade, de ter um voo muito próximo com muitos paraquedas. Estávamos com o procedimento de emergência na cabeça, executamos muito bem e correu tudo bem”, comenta.
Paulo Assis, paraquedista mais experiente na formação e integrante da equipe que quebrou o recorde mundial (100 paraquedistas), afirma que a experiência dos dois paraquedistas envolvidos no incidente foi fundamental para o desfecho feliz. “Esta modalidade exige atletas experientes porque dá margem para este tipo de acontecimento. Os acidentes acontecem quando se desafia os limites. Por isso, o recorde é difícil. Então, o paraquedista tem que estar preparado”, alerta.
Sem drama
Apesar da tensão que envolveu a situação limite no salto, Guilherme minimiza o drama, lembrando que tudo correu dentro das margens de segurança determinadas pelos próprios paraquedistas neste tipo de salto. “Não acho que corremos risco de morte, porque estávamos preparados e usamos recursos que facilitaram este tipo de salto, como altura, que lhe dá tempo para analisar a situação, ferramentas como a faca. Tudo para poder lidar com a característica do salto. Como há um risco de colidir, temos que compensar e tudo é calculado”, aponta. O paraquedista destaca que, logo após chegar ao chão, já fez outro salto. “Para quebrar o gelo”, brinca.
Guilherme esteve no Jornal da Cidade; veja vídeo: