Damasco - A ONU assinou um acordo ontem com a Síria para ampliar a missão dos monitores de paz no país, em meio às críticas do chefe da organização às violações do cessar-fogo cometidas pelo regime.
Desde domingo, um grupo avançado de monitores das Nações Unidas opera no país. Mas com só oito participantes, incluindo três que chegaram hoje, seu alcance é limitado.
Integrante do grupo inicial, o capitão de mar e guerra da Marinha brasileira Alexandre Feitosa, 46 anos, disse que a previsão é de que a missão visite sábado a cidade de Homs, o principal foco de violência.
Feitosa se esquiva da palavra otimismo e prefere usar a expressão “pensamento positivo”. Depois de três dias de visitas a áreas pró-governo e oposicionistas nas cercanias da capital, Damasco, ele disse que não viu grandes violações do cessar-fogo.
Sobre os relatos de contínuos bombardeios do regime contra focos rebeldes em Homs, o comandante diz que eles serão verificados. “Estamos aqui para isso.”
Já o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou a continuação da violência e condenou a permanência da ofensiva do regime. “Apesar do acordo do governo em cessar toda a violência, estamos profundamente preocupados que ela continue”, disse Ban.
A proposta de Ban é ampliar a missão para até 3
observadores num período de até três meses. Ele pediu pressa para o envio do contingente, mas divergências entre Rússia e China de um lado, e EUA, França e Reino Unido, de outro, podem atrasar a aprovação da missão no Conselho de Segurança da ONU.
“Amigos da Síria”
O ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, afirmou ontem que o grupo de mais de 7
países chamado “Amigos da Síria” acredita que a última chance para a paz no país é a aplicação do plano do enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, para o fim da violência.
O chanceler deu as declarações após uma reunião com 16 diplomatas para encontrar caminhos para implementar as medidas propostas pelo ex-secretário-geral da ONU. “O plano é a garantia da paz e da liberdade. Seu fracasso seria o caminho à guerra civil”.
Para os diplomatas reunidos, a oposição síria cumpriu o plano de paz, mas este foi rejeitado pelo regime do ditador Bashar al Assad. “Os grupos armados da oposição respeitam o cessar-fogo, apesar das provocações do regime. Não se pode dizer o mesmo do regime sírio”. Em discurso na reunião de representantes da diplomacia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu sanções para o regime do ditador Bashar al Assad.
“Temos que começar a agir de forma enérgica no Conselho de Segurança para adotar uma resolução com sanções a viagens, finanças e o embargo do envio de armas”.