Política

Homem toma banho na praça por causa de falta d´água

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

Nos últimos dias, a falta de água desenhou situações desesperadoras em Bauru. Depois da manifestação no Jardim Marília que terminou na delegacia, agora o problema está no Vânia Maria. Ontem, uma moradora do bairro invadiu o Departamento de Água e Esgoto (DAE) para tomar banho e mobilizou toda a autarquia. Mais tarde, um homem se banhou na praça da Bíblia.

A estudante Sabrina Bojkian Rissi, 25 anos, afirma que a falta água no bairro é algo rotineiro. “Mas, nunca ficou tanto tempo assim”, afirma.  São mais de três dias sem água, de acordo com os moradores. Questionado, o DAE atribuiu a “seca” à bomba defeituosa no Poço Gasparini na segunda-feira. Porém, o prefeito Rodrigo Agostinho contesta esta versão (leia mais ao lado).

 

A invasão ocorreu por volta das 15h e movimentou o DAE. Por meio da assessoria de comunicação, a autarquia confirmou o fato e disse que a jovem passou por baixo da catraca. Com uma mochila, ela queria se banhar na autarquia.

 

A estudante afirmou que a tentativa nem foi um protesto. “Na verdade, só queria tomar banho mesmo. Tinha que ir para a faculdade e precisava do banho. Já que eles não resolvem, fui até lá e procurei um chuveiro”.

 

No prédio do DAE, ela chegou a conversar com o presidente Fábio Lara. Convencida pelos funcionários, a estudante foi levada de volta para sua residência por uma viatura do DAE. Lá, havia a promessa de que um caminhão-pipa iria encher a caixa d’água da casa dela. 

 

O veículo até foi ao local, porém, os vizinhos de Sabrina impediram que a autarquia abastecesse somente a casa dela. Um deles foi o aposentado José Carlos Posca, 60 anos, que, horas mais tarde, iria se banhar na praça da Bíblia, na região central da cidade. “Se eles fossem abastecer a casa dela, eles iriam ter que abastecer a de todo mundo. Não é justo. Estamos passando uma situação terrível”, desabafa.

 

Com a resistência dos moradores, a Polícia Militar (PM) foi acionada. “O DAE só encheu uns baldes e foi embora”, completa o aposentado.

 

 

Banho público

 

Horas depois, José Carlos Posca resolveu seu problema do jeito que encontrou. “Eu não tomo banho há três dias”, disse. Por volta das 19h, ele foi até uma “bica” do DAE, localizada nas proximidades da praça da Bíblia, e se banhou.

 

Com um balde, sabonete e uma toalha, o homem ficou só de calção e se lavou no meio da rua. A cena chamou a atenção de quem passava por ali. “É um absurdo o que estão fazendo com a gente”, reclama.

 

O homem voltou para sua casa. Apesar de ter se refrescado, constatou que a água das torneiras em sua residência não havia voltado. Na casa ao lado, o empresário Oasismar de Souza Brandão, 50 anos, padrasto da jovem que entrou no DAE ontem, vivia o mesmo problema. “Estou aqui lavando a louça como dá. Trouxe um galão de água do serviço para aguentar. Mas, a situação está péssima. Ninguém resolve nada”, lamenta.

 

Anteontem, conforme publicado pelo JC, a falta de água gerou outro problema. No Jardim Marília, moradores desesperados com a “seca” fizeram protestos e chegaram a depredar um ônibus.

 

 

 

Prefeito admite que o problema deve continuar

 

Apesar de afirmar que o município “não está parado” em relação à situação crônica da falta de água, o prefeito Rodrigo Agostinho prevê que, durante este ano, o problema deve continuar. Segundo ele, a cidade cresceu em um ritmo que não foi acompanhado pelo DAE. Entretanto, relembra que um plano de investimentos para a autarquia já foi discutido. Como o “copo de água no meio do deserto” ele aponta os novos poços, previstos para entrar em funcionamento ainda este ano.

 

“São sete novos poços que devem melhorar bastante a questão, exceto em casos excepcionais, como queimas de bombas”, afirma. Porém, até começarem a funcionar, Agostinho não é otimista: “O problema deve continuar”.

 

Um dos poços prometidos é o do Bauru 16, que iria exatamente abastecer o Vânia Maria, alvo das recentes reclamações dos moradores na “seca” há três dias. Apesar de o DAE ter afirmando que o problema é decorrente da quebra da bomba no Poço Gasparini, o prefeito relatou que é devido a uma redução na produção do poço que abastece o Vânia Maria. Além dos poços, o prefeito afirma que todo o DAE precisa ser modernizado. “Iremos abrir uma licitação para renovar a frota”. Dois dos problemas mais evidentes da precarização da autarquia é a tubulação centenária e a falta de telemetria - que possibilita detectar problemas antes do esvaziamento do reservatório. 

 

 

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