Polícia

Homem liga 160 vezes no Samu

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Não é de hoje que entidades como a Polícia Militar (PM) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) sofrem com o número de trotes que chegam às centrais todos os dias. Há quase um mês, um mesmo homem ligou 16

vezes, em apenas dois dias, para o Samu de Bauru. O motivo: queria apenas conversar com mulheres. O Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) Regional de Bauru recebe uma média de 6

ligações como essas por mês. Uma nova lei prevê multa de R$ 1,2 mil para esses casos. (leia mais abaixo)

 

São consideradas trotes as ligações feitas sem que haja solicitação do serviço prestado. A exceção é para quando o atendimento é pedido de forma indevida, como por exemplo, dizer que a situação é uma e, ao chegar ao local, os profissionais constatam que é outra.

 

O coordenador do Samu de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi, revela que nos três primeiros meses deste ano a unidade computou 32 mil ligações, sendo que 11% delas foram trote e 4% engano. “Já chegamos a registrar cerca de 16% destas ligações somando trote e engano. No começo do serviço tinha mais, mas o número ainda preocupa”, avalia.

 

O número do telefone deste homem que ligou 16

vezes para o Samu só pôde ser identificado graças a um programa que também grava as conversas entre atendentes e solicitantes. O que ainda não se sabe é de qual cidade veio a ligação, já que o código de área é 14.

 

A equipe de reportagem do JC conversou com alguns dos atendentes do Samu. Eles afirmaram que quase todos os funcionários das centrais telefônicas conversaram com o respectivo solicitante. “Ele ligava incansavelmente dizendo que queria conversar mesmo. A gente informava, a cada ligação, que ele estava ligando para um serviço de urgência e emergência, que isso não podia acontecer. Mas ele ligava novamente”, contou uma atendente.

 

 

 

Mulheres

 

Outro atendente pontuou ainda que o solicitante das 16

ligações queria falar apenas com mulheres. “Ele ligava para conversar, perguntava se estava tudo bem, mas queria falar com mulheres. Em alguns momentos falava coisas comuns, e em outros falava algumas coisas absurdas que não dá para repetir”, pontuou.

 

Sacomandi relata que muitas pessoas também fazem solicitações falsas ao Samu, o que é extremamente preocupante. Atualmente, por ser regionalizado, o serviço conta com duas Unidades de Suporte Avançado (USA), em que há também atendimento de um médico para casos graves, sendo que destas duas USAs, uma é destinada à região. Outras cinco viaturas comuns são direcionadas exclusivamente para Bauru.

 

 

 

Nova lei vai punir trotes com multa de R$ 1,2 mil

 

Essa antiga ‘brincadeira’ com serviços tão úteis e importantes à sociedade está prestes a acabar, ou diminuir. Na última segunda-feira, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), promulgou a lei 14.738, que prevê multa de R$ 1.239,25 para quem passar trotes em serviço telefônicos de atendimento do Corpo de Bombeiros (193), Polícia Militar (19

) e Samu (192).

 

Segundo informações da Casa Civil do Estado, a lei deverá ser regulamentada no prazo de 9

dias pelo Executivo. “Acredito que a lei é bem oportuna e que deverá inibir esse tipo de atitude”, opinou o capitão João da Costa Duarte, chefe do Copom do CPI-4 em Bauru. 

 

 

 

Falsa comunicação

 

Acionar de forma falsa o serviço do Samu é grave, já que uma viatura pode deixar de atender uma ocorrência séria para se deslocar a outra que sequer existe. 

 

“Nossos atendentes são treinados para identificar os trotes ou falsas informações, mas algumas situações passam. Certa vez, uma solicitante disse que a filha dela estava em trabalho de parto e fomos atender em uma USA (Unidade de Suporte Avançado). Quando cheguei lá, era mentira. Ela disse que se tivesse falado a verdade demoraria muito. Isso é preocupante porque só temos uma USA para Bauru, que poderia estar atendendo outros casos”, diz o coordenador do Samu de Bauru, Carlos Eduardo Sacomandi.

 

Ele estaca que a maioria dos trotes é praticada por crianças e as ligações são feitas de telefones públicos. “Algumas crianças também ligam do celular dos pais. Geralmente esperamos um tempo e retornamos a ligação, avisando que esse tipo de atitude é ruim e prejudica nosso trabalho”. 

 

Segundo uma atendente do Samu, quando o trote é identificado, explicitamente ou durante o atendimento, o solicitante é orientado a não repetir a atitude. Em seguida, a ligação é finalizada. 

 

 

 

Centro de Operações da Polícia Militar recebe média de 6

ligações falsas por dia em Bauru

 

O capitão João da Costa Duarte, chefe do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), enumera que em 2

1

, o serviço recebeu uma média de 84.347 solicitações por mês vindas de 39 cidades com centrais em Bauru, Jaú e Lins.

 

Deste montante, pelo menos 23,5% foram trotes, sendo 59,3% feitas por crianças e 4

,3% por adultos. O restante eram solicitações de viaturas que chegaram ao local e não havia nenhuma ocorrência para ser atendida.

 

No ano passao, a média de solicitações mensais foi de 76.

84, sendo que destas, 21,5% eram trotes. Ainda dentro desta porcentagem, 62,2% foram feitas por crianças, 37,3% por adultos e em outros

,4% as viaturas chegaram ao local e não havia ocorrência.  

 

“A gente vê que teve uma pequena queda. No ano passado foram distribuídas 15 mil cartilhas em escolas de Bauru para orientar as crianças a não fazerem trotes. Nós percebemos que a maioria dos trotes praticados por crianças acontecem no início da tarde, horário de entrada e saída da escol. A maioria é de orelhão”, pontuou o capitão da PM.

 

Comentários

Comentários