Lendo a matéria "Eu me neguei a fazer o despejo", no JC de ontem, lembrei que há alguns anos atrás um funcionário publico descumpriu uma ordem judicial quando não passou com o trator sobre a casa que deveria ser derrubada. Questionado, respondeu que se precisasse, novamente, recuaria. E não era por falta de coragem e sim por excesso de valor humano. Hoje, 20 de abril, na primeira hora, quando abri o Jornal da Cidade, vi estampado na primeira página que um serventuário da Justiça de Bauru, ao ter que entregar uma ordem de despejo aos moradores e ao saber e ver que a filha deles, de apenas seis anos de idade, recuperava-se com tratamentos invasivos de uma leucemia, não teve dúvida e retirou-se, sem cumprir a ordem judicial.
Os fatos demonstram que o Direito e a Lei nem sempre se coadunam com a justiça social e divina. O Direito e seus delegados vivem muito distantes dos fatos reais e o conhecimento presencial é necessário para que os valores humanos não sejam massacrados por papéis e assinaturas gerados num outro plano social e de vida. Conhecemos inúmeros casos de injustiças ocorridos pela morosidade temporal, ou por não conhecimento prático de muitos temas familiares e sociais vivenciados pelos menos favorecidos pela sorte. Gostaríamos de parabenizar esses homens pela coragem, humanidade e amor ao próximo. Com certeza, a Justiça habita nas suas índoles.
Catarina Carvalho, Rita de Cássia Erba, Regielle Roberta Rodrigues, Antonio Carlos dos Santos Barroso