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Em Bauru, tema também é discutido

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Sustentabilidade e ambientalismo ético são temas contemporâneos que se fundem e geram diversas questões em todo o mundo. Em Bauru, não é diferente. Ao passo que no âmbito nacional a polêmica da vez é o Código Florestal, em pauta na imprensa local estão, por exemplo, a Floresta Urbana e o uso ou não das sacolinhas plásticas. O JC ouviu autoridades e ambientalistas locais para avaliar a atual relação entre as ações de sustentabilidade e benefícios diretos às pessoas, além de discutir o que é ética ambiental para cada um deles.  


“A sustentabilidade existe com viés de futuro e não imediatismo. É um compromisso com as futuras gerações”, acredita o prefeito e ambientalista Rodrigo Agostinho (PMDB). O prefeito também aponta que, ao pensar sobre sustentabilidade, é preciso voltar o olhar para a continuidade da civilização: “É um compromisso ético com essas gerações”.


De viés imediato, Rodrigo ressalta que inúmeras ações são colocadas como atividades e ações sustentáveis, porém, a maioria delas tem um alcance muito pequeno.


Ao mesmo passo, há empresas que promovem ações ambientais com visão de marketing, de maquiagem verde, como explica o prefeito ambientalista, e tais atividades não são necessariamente sustentabilidade.


“Para grandes passos sustentáveis, precisamos de mudança efetiva de paradigma e em escala global, como mudança de matriz energética e de materiais utilizados na fabricação de tudo o que nos cerca. Acho que esse é o maior desafio e envolve decisão política e tecnologia. A China, por exemplo, ainda queima carvão para a produção de energia, o que é um grande retrocesso. Essa é a questão”, pontua Agostinho.



Outra cabeça



Porém, cada um deve e pode fazer a sua parte. Segundo o prefeito ambientalista, a mudança de mentalidade do bauruense já é visível. A participação na coleta seletiva, a diminuição do lixo nas ruas, a procura pelo descarte de materiais nos ecopontos e a utilização de alimentos orgânicos são algumas das ações mais evidentes na comunidade.


“Além disso, tem muita gente que, mesmo quando o álcool está mais caro, continua abastecendo com tal combustível por ser mais limpo”, acrescenta.

 

Equação


Já o tenente Ernani Francisco dos Santos, comandante do 1º Pelotão de Polícia Ambiental em Bauru, avalia que as relações entre ações de sustentabilidade e seus benefícios diretos formam um tema complexo, porém, é  necessário entender, primeiramente, que sustentabilidade se dá na equação entre dinheiro, ser humano e meio ambiente.


“Sem este tripé não se chega a lugar algum. Assim, eu avalio que a relação entre as ações de sustentabilidade e benefícios diretos às pessoas poderia ser mais eficaz se não tivéssemos tantas deficiências para agir sustentavelmente”, analisa o tenente.


Para ele, a cidade ainda engatinha no quesito ação sustentável até mesmo em atitudes básicas como o simples ato de se fechar as torneiras na escovação bucal.

 

Bons sinais nas empresas e ONGs


De acordo com o secretário municipal do meio ambiente, Valcirlei Silva, Bauru vê surgir empresários que atuam no setor, por exemplo, da descontaminação de lixo, além de empresas e organizações não-governamentais (ONGs) que se dedicam à recuperação de áreas degradadas, educação e conscientização ambiental: “São bons exemplos observados em nossa cidade”.


Por outro lado, para o secretário, é impossível não pontuar alguns fatores negativos como as propostas da reforma do Código Florestal Brasileiro que afetam diretamente Bauru, principalmente no que diz respeito à redução das faixas de proteção permanente ao longo dos corpos de água.


“Entendemos que será uma perda muito grande, ambientalmente falando, porque estaremos regularizando situações que desrespeitaram as legislações ambientais anteriores, além de incentivar ainda mais o avanço da pressão econômica e imobiliária sobre os recursos hídricos que temos”, preocupa-se.


Valcirlei também aponta que pode haver damos irreversíveis nos recursos hídricos com o uso inadequado do solo sobre essa faixa de proteção. Consequentemente, a qualidade de vida dos bauruenses, assim como pode acontecer com outros municípios, será reduzida.

 

De onde vem o termo?


Segundo a secretária do Ministério do Meio Ambiente, Samyra Crespo, o conceito de sustentabilidade  surgiu na década de 1960 na disciplina de ecologia das populações, quando ecólogos observaram a necessidade de equilíbrio entre uma determinada população de animais e plantas com seu meio ambiente.   

Viram que  quando qualquer desequilíbrio acontece nos meios ambientes, as populações também se desiquilibram e podem entrar em decadência. Tal conceito passou a ser usado, no início, em manejo de parques e reservas ecológicas na década de 1970. Entretanto, o conceito veio para as sociedades humanas apenas recentemente.

 

Uma nova filosofia de vida


Na visão do promotor do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, na prática, as ações de sustentabilidade estabelecem uma nova filosofia de vida e tais ações aguçam a criatividade humana no sentido de estabelecer ações controladas de exploração dos recursos naturais que, até então, eram desconhecidas pela tecnologia e pela inviabilidade econômica.


“Tais ações criam uma alternativa que vai contra a tradicional e predatória exploração dos recursos naturais. Além do mais, as iniciativas sustentáveis que obtiveram resultados econômicos produzem uma imagem positiva, o que gera incentivo a sua prática”, acredita.


Segundo o promotor, a principal e mais visível ação preventiva no cotidiano do bauruense é a coleta seletiva de lixo. Para ele, essa atividade cria uma cultura ambientável saudável na comunidade e gera cidadãos com mais consciência ambiental que, por sua vez, pode cobrar atitudes mais eficazes na proteção ambiental junto ao poder público e a iniciativa privada.

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