Acabo de ler o livro "O Grande Projeto" (The Grand Design), mais um best seller de Stephen Hawking (cosmólogo inglês, considerado o mais famoso físico vivo), em parceria com outro físico, Leonard Mlodinow. Hawking é autor de outros dois conhecidos best sellers ("Uma breve História do Tempo" e "O Universo numa Casca de Noz"). O título acima corresponde ao primeiro capítulo do livro. Hawking sugere que o universo surgiu espontaneamente, orientado pelas leis físicas (sem interferência divina), que compõem teorias ou modelos, cada vez mais aperfeiçoados (por causa da lei da evolução, amiúde observada), que começam pelos pensamentos de Platão até a teoria clássica de Newton e, modernamente, pela teoria quântica. O grande objetivo (Grande Projeto) é desvendar os segredos do universo. As teorias da relatividade ainda se inserem nos modelos clássicos; a ciência é moderna a partir da teoria quântica.
A questão que atormenta Hawking é: a ciência chegará em um ponto final, uma teoria final do universo (que inclui todas as quatro forças fundamentais)? A teoria será capaz de prever todas as observações que cientistas são capazes de fazer? A teoria-M é a mais indicada como definitiva. Conforme essa teoria, nosso universo não é o único e, para Hawking, ela prevê a existência de muitos universos criados do nada. As doutrinas espirituais postulam também a existência de muitos universos. Universos visíveis e invisíveis se interpenetram.
Ora, na Bíblia o mundo foi criado do nada, só que este nada é a Vontade do Criador (então não é o nada, é alguma coisa!). A física quântica prevê exatamente a possibilidade de se criar alguma coisa concreta do nada. Também, aqui, não é bem do nada, mas por meio de pensamento. Se a física quântica estiver certa (até agora está, porque jamais se provou qualquer erro dela), a Bíblia também está. Mas Hawking não admitiria essa hipótese, porque adota a filosofia positivista, postulando que multiuniversos surgem naturalmente (espontaneamente) da lei física, sem o concurso de um ser sobrenatural ou Deus. Missionários, pastores, clero e profetas modernos precisam estudar a ciência, na sua fase moderna. É muito interessante o confronto ciência-religião. Na verdade, não há confronto da religião com a ciência moderna, que mudou ou está mudando o universo; enquanto a religião deveria mudar as pessoas, convencê-las da necessidade de evoluir para a reforma íntima (que é condição para estabelecer o "paraíso" na Terra). Estou certo que a ciência moderna pode dar uma mãozinha nisso também.
O autor, Venício Augusto Francisco (venicioaf@superig.com.br), é colaborador de Opinião