Tribuna do Leitor

Pedágio ponto a ponto


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Num primeiro momento é algo que parece que irá proporcionar benefícios aos usuários das rodovias, já que a partir de um dispositivo semelhante ao atual ?Sem Parar? (espero que sem as caríssimas taxas de adesão e manutenção) o pedágio será pago sem precisar ficar perdendo tempo parando a cada 30 km numa praça de pedágio, e se pagará a quilometragem efetivamente percorrida.

Como é algo que vai beneficiar principalmente a quem os governantes de qualquer matiz ideológico querem muito bem, que são as concessionárias, com certeza esse sistema vai ser adotado com toda a rapidez possível. Há a previsão de esse sistema estar implantado em dois anos em todas as estradas estaduais concessionadas.

Agora uma dúvida. Muita gente em Bauru, por exemplo, utiliza as rodovias que cortam a cidade como avenida para o trânsito inter-bairros. No pior cenário possível, imaginemos que será cobrado mesmo de quem apenas usa o trecho urbano das rodovias citadas a quilometragem que a pessoa venha a percorrer. Agora, se uma parte desses usuários resolver, para não ter de pagar o pedágio, utilizar as vias urbanas da cidade, é possível imaginar o que vai acontecer com vias já saturadas e tendo de receber ainda mais veículos.

Haverá também o impacto financeiro, só que mais forte, em quem vem de Agudos ou Pederneiras, por exemplo, que hoje não pagam pedágio para virem a Bauru e passarão a pagar o trecho de rodovia, SP-300 ou SP-225, que vierem a percorrer.

Acredito que o correto seria a construção de marginais no trecho urbano. Quem quer se deslocar de maneira mais rápida, utilizaria a rodovia e pagaria, quem não faz questão de tanta rapidez teria a opção de usar a marginal, não sobrecarregando tanto o trânsito da cidade. Acho que há até o projeto para a construção de marginais pelas concessionárias, mas considerando a generosidade dos contratos de concessão para com as concessionárias, elas só devem sair lá por 2035 ou 2040.

Eu acho que é algo que já deva merecer a atenção, tanto das autoridades quanto da população das cidades, que poderá vir a ser atingidas pela adoção desse sistema para cobrança de pedágios.


Luiz Carlos Rodrigues

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