Polícia

Homem é encontrado morto no bairro Leão XIII em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Quioshi Goto

Carro funerário levou corpo de vítima baleada ainda sem identificação

Com três tiros, um homem foi morto ontem, no Leão 13, em Bauru. Caído de costas, com ferimentos nesta parte do corpo, no pescoço e na cabeça, ele foi encontrado na quadra 16 da rua Benedito Augusto de Godoy Fonseca, próximo à avenida Elias Miguel Maluf. Até o fechamento desta edição, não havia sido identificado. Aliás, a tentativa de identificação oficial gerou a inusitada situação de confusão com outra pessoa. A situação foi reparada ao longo do registro policial da ocorrência.


Trata-se da sétima vítima de morte violenta na cidade, segundo cálculos do Jornal da Cidade, e da terceira apenas em abril. Assim que a Polícia Militar chegou ao local, o corpo foi cercado por grande número de curiosos. Estava com o braço esquerdo sobre o rosto. A posição demonstra que, provavelmente, ele fora atingido primeiramente nas costas. Ao cair, teria se protegido com o braço de outro tiro, que não só feriu o membro esquerdo como entrou pelo pescoço, quase transfixado.  


O terceiro disparo, considerado de “misericórdia” foi desferido contra a cabeça, comenta o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja. Ele esteve no local, assim como o delegado plantonista Paulo Calil. Encontraram um homem vestido com tênis cinza, calça jeans, camiseta cinza e moletom preto com o símbolo de um restaurante. Sem documentos, estava apenas com um cachimbo utilizado para o uso de crack, no bolso.



Casos em Bauru


O fato da vítima de ontem não ter sido reconhecida até o final dessa edição o coloca numa situação semelhante ao último caso de assassinato, registrado há duas semanas no Fortunato Rocha Lima. Na ocasião, porém, o corpo estava carbonizado. Por conta do antecedente, o titular da DIG solicitou à perícia que averiguasse vestígios de combustível no local onde o corpo de ontem foi localizado.


“Pela rigidez cadavérica, ele deve ter sido morto entre às 24h e às 2h”, comenta Granja, que investigará o assassinato. De acordo com o delegado, não apareceram testemunhas que tivessem visto ou ouvido os disparos. “É a lei do silêncio”, comentou.


De acordo com ele, apesar de tratar-se da terceira morte em abril, Bauru ainda contempla as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estabelece menos de dez mortes por 100 mil habitantes.


“Em todos os casos do ano passado, vítimas e envolvidos estavam relacionados à criminalidade. Só dois casos foram exceção: um latrocínio e uma morte por motivos passionais”, conclui 

 

Parentes erram reconhecimento de corpo e “morto reaparece” em casa

Enquanto a polícia e a perícia trabalhavam no local onde o jovem foi morto com três tiros, a informação do homicídio era propagada pelo bairro. Inúmeros curiosos se dirigiram a pé, de bicicleta ou carro até a quadra 16 da rua Benedito Augusto de Godoy, no Leão 13. A concentração de pessoas e de viaturas policiais era possível observar de longe.


Justamente por conta da movimentação, um homem que trafegava pela avenida Elias Miguel Maluf decidiu parar o veículo para checar o que estava acontecendo. Ao checar no local, reconheceu o próprio sobrinho.  Encontrou ainda entre os populares o pai da suposta vítima.


Ambos conversaram com os policiais, levaram documentos e, depois, não só avisariam os familiares sobre o homicídio como também se dirigiriam à delegacia.


Mas o inusitado, felizmente para a família, aconteceu. Nem meia hora depois, o senhor que reconhecera o filho morto já estava em frente ao Plantão da Polícia Civil. Enquanto lamentava o assassinato com a reportagem, um outro parente dele se dirigiu ao plantão para contar que o jovem dado como morto aparecera na casa de um tio, depois de tomar conhecimento dos boatos que lhe atestavam como morto.


Aliviados com a notícia, pai e parente deixaram o plantão policial sem comunicar o delegado, que soube da confusão horas mais tarde. “Eles eram muito parecidos”, definiu.

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