Esportes

Basquete: Passaporte nacional

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

Larry James Taylor Junior nasceu em Chicago, mas foi cativado pelo Brasil e também conquistou os brasileiros com sua habilidade dentro de uma quadra de basquete e, sobretudo, os bauruenses, que têm a oportunidade de conviver com um jogador letal contra os adversários e simpático, alegre e solícito com os torcedores e todos que se aproximam dele. O jeitão brincalhão e o bom humor de Larry casaram com a identidade nacional e o que era identificação tornou-se oficial com a naturalização do armador, que passa a ter condições legais de defender a Seleção Brasileira - a naturalização ainda não foi publicada, mas está assinada. O técnico do Brasil, Rubén Magnano, já deu declaração, recentemente, dizendo que qualquer jogador com passaporte nacional poderá ser convocado para as Olimpíadas de Londres, neste ano. Fica a expectativa.

 

O processo de naturalização de Larry durou um ano. E o desfecho positivo deixa o jogador contente. “Estou esperando pela palavra oficial, mas para mim é um sentimento muito bom. Estou esperando há muito tempo para ver e muita gente também. Agora, a gente sabe que vai dar certo”, comemora. Porém, Larry, mesmo antes da naturalização, já se sentia identificado com o Brasil, sentimento que vem crescendo, segundo ele. “Cada vez me sinto mais brasileiro, cada vez estou melhorando meu português e me acostumando ao País. Já me sinto brasileiro. Fico brincando com as pessoas que param na rua e perguntam se sou americano. Eu sempre falo: ‘não, sou brasileiro’. Algumas acreditam e outra, não”, diverte-se.

 

No Brasil desde 2

8, Larry descobriu os prazeres locais e sua identificação com o Brasil passa por três pilares: música, comida e futebol. O jogador rapidamente se rendeu a uma especiaria da cozinha tupiniquim: o churrasco. O armador se revela um apreciador de uma boa carne assada ao estilo brasileiro. Quando o assunto é música, Larry gosta de pagode e funk. “Gosto de Exaltasamba e grupos assim e curto ir a lugares que tocam pagode”, revela. Indagado se já tem samba no pé, Larry mostra malandragem para escapar. “Um pouco, às vezes eu mostro. Mas, por enquanto, fico me segurando, não quero mostrar esta parte de minha vida ainda”, brinca, entre risos. 

 

No futebol, Larry é corintiano assumido. Mesmo um dia após a eliminação alvinegra no Campeonato Paulista, o jogador reitera seu amor pelo Corinthians. “Tudo bem, isso aconteceu. Mas sou corintiano, não vou parar de torcer para eles. É meu time”, salienta. Outro motivo de identificação de Larry com o Brasil é o calor do povo, mais acessível do que os norte-americanos. “Nos Estados Unidos, as pessoas são um pouco mais frias”, compara.

 

 

 

Prova e português

 

No processo para se tornar brasileiro, Larry passou por avaliação escrita para provar seus conhecimentos e sua capacidade de se comunicar. De acordo com o jogador, a prova foi baseada em leis brasileiras. Porém, o armador foi vítima de brincadeira de um avaliador. “A prova não foi muito difícil. Mas o cara ficou me assustando e dizendo que eu iria ter que escrever a letra do Hino (Nacional) inteira”, lembra, rindo. Agora, Larry tem até julho para aprender o Hino, já que provavelmente será convocado por Magnano para defender a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres. O passaporte nacional já está garantido.

 

Larry relata que nas avaliações para sua naturalização não houve prova de português. Mas ele se mostra à vontade com o idioma. Quem vê a desenvoltura de Larry com o idioma nacional nem poderia imaginar que o jogador é autodidata. “Fiquei treinando muito em casa sozinho com um livro que comprei antes de chegar ao Brasil e isso foi um grande ganho para mim. Depois disso, falava com as pessoas no Facebook e no MSN e colocava no tradutor. Foram estas coisas que me ajudaram. Foi sozinho mesmo”, recorda. 

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