Chocante, estranho, irreverente? Sim, essas podem ser algumas das impressões que ficam quando entramos em contato com as obras de Lourenço Mutarelli. O quadrinista, escritor e dramaturgo ganhou grande notoriedade após seu livro “O Cheiro do Ralo” ser adaptado para o cinema.
Ontem, em entrevista ao Jornal da Cidade, o escritor contou sobre suas obras, projetos futuros e sobre o estilo marcante e chocante que caracteriza seus quadrinhos e romances. Veio para a cidade a convite da Unesp e do professor Antonio Francisco Magnoni, que é tutor do projeto PET/RTV da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), da Unesp. Ainda ontem, o escritor participou de uma sessão de cineclube e posterior bate-papo junto a alunos da universidade.
Com um jeito único de contar histórias e considerado uma das maiores referências dos quadrinhos brasileiros, Mutarelli coleciona seis romances, uma peça de teatro e mais de 15 álbuns de histórias em quadrinhos. O longa de humor negro “O Cheiro do Ralo”, dirigido por Heitor Dhalia e estrelado por Selton Mello, foi eleito o melhor filme da 3
ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo. Confira a seguir a entrevista com Mutarelli:
Jornal da Cidade – Você veio a Bauru para um bate-papo com estudantes?
Mutarelli: Já estive em Bauru outras vezes. E grande parte do meu público é universitário. E eu acho muito bom participar deste tipo de evento, que permite uma troca de ideias e diálogo.
JC – O que achou da repercussão de “O Cheiro do Ralo”, livro de sua autoria que foi parar no cinema?
Mutarelli: Muita gente que não era meu público acabou conhecendo meu trabalho a partir dessa adaptação do “ O Cheiro do Ralo”. Quem passou essa obra para o Heitor Dhalia - diretor que procurava algum livro para adaptar para o cinema – foi Marçal Aquino. O Heitor queria algo diferente. Nem sei se meu material era tão diferente, mas era algo que eu vinha fazendo e para eles era algo que se apresentou como muito diferente. O fato de ter o Selton Mello no filme, que é muito carismático, e o fato como o filme foi feito, com baixo orçamento, garantiram visibilidade à obra.
JC - Seu trabalho se destaca pela irreverência. De onde vem a inspiração?
Mutarelli: Acho que é meu jeito mesmo de encarar as coisas. Meu jeito reflete muito nos meus personagens. Talvez seja uma irreverência mesmo, uma descrença, uma ruptura... acho que tudo isso aparece nos meus personagens.
JC – De forma geral, qual você acha que tem sido o impacto de suas obras sobre o público?
Mutarelli: Quando faço minha obra, não estou pensando se ela vai ser lida e que tipo de fruição terá. Sempre faço pelo fazer, não há nada intencional, é natural. Sei que nem sempre é uma experiência agradável, mas tem quem goste. O meu trabalho mostra minha natureza, a minha visão das coisas; reflete muito meu ponto de vista e nem sempre o que eu observo é o que as pessoas querem ver.
JC – Quais os futuros projetos?
Mutarelli: Com a Companhia das Letras, vou começar a reeditar o meu material de quadrinhos, que está fora de catálogo. Estou trabalhando numa peça que é uma encomenda do ator Mateus Solano e, ainda, devo publicar este ano mais um livro, “Amores Expressos”.