São Luís - A Secretaria da Segurança Pública do Maranhão afirmou que a arma usada para matar o jornalista e blogueiro Décio Sá, 42 anos, era uma pistola .4
, de uso exclusivo da Polícia Militar. Sá foi morto na noite de anteontem com seis tiros, em um restaurante de São Luís.
Repórter de política do jornal “O Estado do Maranhão”, que pertence à família Sarney, Sá mantinha o domínio www.blogdodecio.com.br, em que discutia temas policiais, políticos e cotidianos do Maranhão. A polícia afirma que vai investigar os textos do blog para apurar se eles podem ter alguma relação com o crime.
Na penúltima postagem do blog, publicada anteontem, Sá relatava o andamento de um processo contra dois supostos pistoleiros do Maranhão.
Uma força tarefa de delegados foi formada para investigar a morte do blogueiro. Em nota, o governo do Maranhão chamou o crime de “ação bárbara e cruel”.
Já o presidente do Senado, José Sarney (PMDB), chamou o assassinato de Sá de “atentado à democracia” e pediu que “a justiça seja feita de forma exemplarmente rigorosa” com os suspeitos do crime.
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) lamentou a morte de Sá e disse que essa foi a quarta morte de jornalista no Brasil em 2
12, “o que demonstra o efeito pernicioso da impunidade nos casos de atentado à vida de profissionais que trabalham para melhor informar os cidadãos”.
O corpo de Décio Sá foi enterrado ontem à tarde no Cemitério Jardim da Paz, em São José de Ribamar, na região metropolitana de São Luís. Ele deixa a mulher, grávida de 2 meses, e um filho de 8 anos.
O crime
O crime ocorreu por volta de 23h3
, num restaurante localizado na avenida Litorânea, em São Luís. Sá tinha chegado sozinho um pouco antes no estabelecimento.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, dois homens em uma moto pararam em frente ao restaurante. Um deles ficou no veículo. O outro desceu e foi em direção ao restaurante.
O assassino então foi ao banheiro e, quando voltou, apontou a arma para Décio, que no momento falava ao celular. Seis tiros atingiram o blogueiro - quatro na cabeça e dois no tórax. O atirador, que não escondeu o rosto, fugiu em seguida.
Funcionários do restaurante chegaram a ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o jornalista já estava morto quando os socorristas chegaram.