O cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela 5ª Vara da Justiça Federal de Brasília (DF), relacionados à operação da Polícia do Distrito Federal batizada de Saint-Michel e que tratam das relações com denúncias de crime ligados ao contraventor Carlinhos Cachoeira, esteve sob as mãos do bauruense Henry Peres F. Lopes, delegado de Polícia Chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado na capital federal.
Esta operação da Polícia Civil do Distrito Federal contou com a participação de cerca de 6
policiais, em cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em Goiânia (GO), Anápolis (GO), Brasília (DF) e São Paulo. “Logramos êxito em efetuar as prisões de Cláudio Dias de Abreu, ex-diretor da empresa Delta, ligado diretamente ao contraventor Carlinhos Cachoeira, do lobista Dagmar Alves Duarte e do vereador de Anápolis, Wesley Clayton da Silva”, conta o delegado que nasceu e tem família em Bauru.
Do Altos da Cidade, Peres estudou na Escola Estadual Paz Bueno, no Jardim Higienópolis, na mesma rua do Jornal da Cidade, concluiu a graduação em Direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE) em 1997 e, dois anos depois, assumiu a função de delegado em Brasília (DF), atividade de policiamento distrital federal ligada à União.
Em sua mais recente missão, que tem dimensão nacional e já provocou rachaduras no conturbado ambiente político em Brasília, Henry Peres se dedicou ao cumprimento das ordens de prisão. Os personagens da história policial foram citados em diálogos captados pela Polícia Federal, entre junho e agosto de 2
11, durante as interceptações da operação Monte Carlo, onde foi apontado existência de esquema de corrupção liderado por Cachoeira, com a influência do senador Demóstenes Torres (O).
Escutas telefônicas flagraram diálogos entre o bicheiro e um de seus assessores, Gleyb Ferreira da Cruz, sobre uma manobra com o objetivo de abocanhar contrato na área de transporte público coletivo do DF.
A operação
Por telefone, o delegado natural de Bauru revelou ao JC aspectos do trabalho. “Nós recebemos a incumbência de cumprir os mandados de prisão desta quadrilha por força de decisão da 5ª Vara da Justiça Federal em Brasília. São quadrilhas muito voláteis, que estão ora em Brasília, ora em São Paulo, Rio de Janeiro, uma situação que exige vigilância pessoal e eletrônica. Para cumprir a prisão e captura-los nós trabalhamos com ferramentas de investigação em cinco dias, entre fazer o levantamento e cumprir os mandados”, conta.
Neste caso, a segurança da informação, entre o trabalho de inquérito e a própria execução da ação de busca e prisão. “O sigilo é muito importante em investigações desse porte. As investigações criminosas têm um sistema de contrainformação, de monitoramento de pessoas que podem investiga-los. Esse tipo de investigação implica em lidar também em ser monitorado pelo lado do crime”, explica Peres.
O compartilhamento de informações e estratégias com outros órgãos, como a Receita Federal, Ministério da Justiça, Polícia Federal, não pode ser dispensado para operações do gênero, segundo o delegado bauruense. “Dispomos de ferramentas legais, como a interceptação telefônica autorizada pelo Judiciário e de procedimentos de investigação que envolvem, sobretudo, a troca de informações e dados com os demais órgãos públicos, como Polícia Federal, Receita Federal e outros”, ressalta.
Nesta fase, o trabalho da polícia é o de enriquecer as provas do processo. “Vamos periciar, cruzar dados e buscar informações para acrescentar provas e ainda buscar outras informações a respeito’, finaliza o delegado. Leia mais sobre o assunto na página 19. Por razões institucionais e de segurança relacionadas à operação, não foi possível publicar foto do delegado.