Brasília - O Supremo Tribunal Federal liberou ontem à CPI mista instalada nesta semana no Congresso o inquérito sobre as atividades suspeitas do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e de outros agentes públicos com Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais.
O ministro Ricardo Lewandowski, do STF, também liberou o acesso aos mesmos documentos que fazem parte das operações Monte Carlo e Vegas, da Polícia Federal, ao Conselho de Ética do Senado e à Corregedoria da Casa.
Segundo a assessoria de imprensa do STF, o ministro se baseou em decisões precedentes do tribunal.
A liberação é uma resposta ao pedido feito pelo presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Lewandowski, entretanto, manteve o sigilo dos documentos, o que significa que as comissões terão responsabilidade de não divulgá-los.
No início do mês, a decisão do STF de não liberar o inquérito para a Comissão de Ética do Senado estimulou os senadores do PT a apoiarem a abertura da CPI.
O material poderá auxiliar nos processos contra Torres e os deputados Carlos Aberto Leréia (PSDB-GO) e Sandes Júnior (PP-GO).
Sem sub-relatorias
O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu ontem que não sejam criadas sub-relatorias na CPI mista do Cachoeira, instalada nesta semana. Para Maia, dividir as atribuições pode fazer a CPI perder o foco na investigação. O relator Odair Cunha (PT-MG) e o presidente da Comissão, Vital do Rêgo (PMDB-PB), já tinham manifestado posição semelhante.
“Acho que a decisão de não ter sub-relatorias deixa mais conciso o relatório e ao mesmo tempo permite que o relator, que tem a maior responsabilidade, possa estar conectado com todos os temas e todos assuntos”, disse Maia.
Para ele, dividir o comando pode fazer com que a investigação não atinja seu objetivo.