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Ato contra experiências com animais será hoje em Bauru

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru integra a luta para o fim das experiências científicas com animais promovendo hoje a “2ª Manifestação Anti Vivissecção e Experimentação Animal”. A intenção dos organizadores é coletar assinaturas em petições que pedem o fim dos experimentos científicos que acarretam em maus-tratos a animais. 

 

A manifestação será hoje, no Calçadão da Batista a partir das 15h. Simultaneamente, aproximadamente 50 municípios brasileiros e do Exterior realizarão o ato de conscientização. O lema da segunda edição da campanha é “Indignação e informação”. 

 

Em Bauru, a referência para a organização do ato é a universitária Gabriela Righetti, que não é vinculada a nenhuma organização. Ela conta que está recebendo apoio da ONG Naturae Vitae, entidade com experiência em prol de animais. Righetti é contrária a qualquer forma de maus-tratos a animais e, circulando pela internet, encontrou as informações da manifestação. É a primeira vez que participo de uma mobilização desse tipo”, conta.

 

Ao perceber que Bauru não estava engajada, fez contato com os organizadores brasileiros e passou a mobilizar as pessoas em Bauru para a manifestação para realizar o evento em Bauru. 

 

“Para conscientizar a sociedade em relação aos inúmeros casos de exploração e tortura de animais que são presos em universidades e laboratórios para fins de experimentação”, situa o texto de divulgação do ato. 

 

 

 

“Cadeia”

 

Duas entidades, que se definem como atuantes no ativismo abolicionista pelo fim da exploração dos animais, estão por trás da manifestação. A “Cadeia Para Quem Maltrata os Animais” e o “World Event to End Animal Cruelty” (WEEAC) pretendem promover a discussão sobre métodos éticos alternativos existentes, empregados e reconhecidos por inúmeras faculdades e instituições de ensino. 

 

Para isso, usam também a estratégia de denunciar a utilização de animais vivos com propósitos experimentais. De acordo com os integrantes da “Cadeia”, atualmente a entidade social mobiliza mais de 30 mil membros. 

 

Para o biólogo Sérgio Greif, redator do manifesto que lançou oficialmente o evento, os experimentos prévios realizados em animais, sustentados na ideia de tentar impedir que os seres humanos corram os “primeiros” riscos dos efeitos ainda não mapeados, não garantem segurança para a sociedade, muito menos apontam caminhos precisos. 

 

É grande o número de drogas aprovadas que são recolhidas das prateleiras no prazo de um ano após sua colocação no mercado. O motivo deste recolhimento é a detecção de efeitos colaterais na população humana, efeitos estes que não haviam sido detectados em testes em animais, afirma o ativista. Ele é co-autor do livro A verdadeira face da Experimentação Animal: a sua saúde em perigo.

 

Ainda sobre esta prática, Greif garante ser possível questionar o argumento de que seres humanos e animais domésticos são diretamente beneficiados com as pesquisas. “Ocorre que, embora exaustivamente testados e aprovados em animais, os tratamentos se mostraram falhos em sua fase de testes, sem sinais de efeitos promissores em seres humanos. Muitos deles, apesar da segurança comprovada em animais, produziram efeitos colaterais e muitas vezes a morte de muitas pessoas.”

 

 

  • Serviço

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    A 2ª  Manifestação Anti Vivissecção e Experimentação Animal será hoje no Calçadão da Batista de Carvalho, a partir das 15h. A concentração será na quadra 4. Outras informações pelo telefone (14) 9789-8282. 

    Site: www.facebook.com/cadeia2010. Petições e pedidos de assinaturas no site

    http://contatoanimal.blogspot.com/2012/02/peticoes-relacionadas-vivisseccao-e.html.

     

     

    Academia rebate com a tese da transparência

     

    A academia aceita a desconfiança da sociedade organizada argumentando pela transparência dos atos que utilizam animais em experimentos científicos. O presidente da Comissão de Ética no Ensino e Pesquisa de Animais da FOB-USP de Bauru, Gustavo Pompermaier Garlet, explica que a academia se esforça para reduzir ao máximo todo tipo de experimentação animal, no Brasil e no mundo. 

     

    Ele situa que o tripé substituição, redução e refinamento rege o ambiente dos laboratórios experimentais. Busca-se substituir a experimentação animal sempre que possível. Reduzir ao menor número de animais possíveis. E refinar os procedimentos para evitar qualquer tipo de desconforto ao animal e minimizar ao máximo os efeitos colaterais. 

     

    Segundo o presidente da Comissão de Ética da FOB-USP, não se faz experiências com animais no Brasil sem que a instituição tenha uma Comissão de Ética e o registro de biotério. Ele evita entrar na polêmica que pode enveredar para particularismos fugindo do essencial para os pesquisadores e toda a comunidade científica, que é o desenvolvimento de novas técnicas, como na área cirúrgica, e novos medicamentos. 

     

    No entanto, lembra que ainda há situações em que são imprescindíveis testar medicamentos ou vacinas em animais. Garlet frisa que a maioria dos medicamentos da indústria farmacêutica não passa por testes em animais porque já foram submetidos a outras formas de avaliação, algo que não ocorria há cerca de 50 anos.

     

    Ele cita que anualmente ocorre um congresso internacional em que se redefinem protocolos de atuação com animais em laboratório. Segundo Garlet, eventos desse tipo definem as possíveis alternativas para reduzir ao máximo a utilização dos animais e também que o uso seja restrito aos casos necessários e regidos por princípios éticos.

     

    No Brasil, existem órgãos externos à academia monitorando e fomentando a discussão da pesquisa com animais. Ele destaca a criação recente do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que vem reforçar a estrutura já implementada em todo país.  No Brasil se formou uma rede de filtros com o Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea), a lei que regulamenta o uso científico de animais - Lei Arouca, nº 11.794 - e o decreto 6.899 que regulamenta a Lei Arouca e define o Concea. 

     

     

     

    Mobilização

     

    A primeira manifestação ocorreu em 2011 nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. O grupo “Cadeia Para Quem Maltrata os Animais” programou o ato pela ocasião do Dia Internacional de Protesto contra Experimentação Animal, 16 de abril. Segundo os organizadores, a proposta levou às ruas manifestantes que procuraram conscientizar a população sobre a necessidade de abolir o uso de seres vivos não humanos em experimentos científicos. 

     

    Também participam da campanha: Portugal, Austrália, United Kingdom - Birmingham, Los Angelis, Califórnia, e Buenos Aires. 

     

     

    Experimentação

     

    De acordo com os organizadores da manifestação, no Brasil as faculdades de medicina, medicina veterinária, biologia, psicologia, odontologia, ciências farmacêuticas, enfermagem, dentre outras, possuem aulas práticas em que são utilizados animais vivos. 

     

    Na vivissecção - cuja origem é atribuída ao médico romano de origem grega Cláudio Galeno, no século I, DC. - animais são encaminhados vivos para a sala de aula, onde são contidos e anestesiados (nem sempre adequadamente) para, em seguida, com a presença do professor e alunos, serem utilizados em diversos experimentos de aprendizagem. Após a prática, são sacrificados. 

     

    Na Europa e Estados Unidos, muitas faculdades de medicina aboliram o uso de animais, nem mesmo nas matérias práticas, como técnica cirúrgica e cirurgia, oferecendo substitutivos em todos os segmentos. 

     

    Nos EUA, mais de 100 escolas de medicina (quase 70%) incluindo Harvard, não utilizam animais. Na Inglaterra e Alemanha, a utilização de animais na educação médica foi abolida. Na Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda) estudantes são proibidos, por lei, a praticar cirurgia em animais. 

     

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