Um dérbi que ficará marcado para a história. É assim que pode ser definido o confronto de hoje entre Guarani e Ponte Preta, às 18h30, no Estádio Brinco de Ouro, pelas semifinais do Campeonato Paulista. Diferente do último duelo entre os dois rivais do interior paulista, que foi marcado por muita tensão entre os torcedores, dessa vez o jogo vem mexendo com a cidade de forma positiva, fazendo muitos relembrarem as décadas de 70 e 80, quando Campinas chegou a ser chamada de “Capital do Futebol”.
Devido ao equilíbrio dos dois times neste início de temporada, ninguém arrisca um favorito para avançar no Paulistão. O Guarani tem a vantagem de atuar diante de seus torcedores, por ter realizado melhor campanha na fase classificatória, quando terminou na quarta posição, com 36 pontos. A Ponte Preta, por sua vez, foi apenas a oitava colocada, com 28.
Para chegar até as semifinais, o Guarani eliminou o Palmeiras no último domingo, depois de vencer por 3 a 2, também no Brinco de Ouro. Com o mesmo placar, a Ponte Preta também surpreendeu nas quartas de final, ao eliminar o Corinthians em pleno Pacaembu.
Ao todo, os rivais de Campinas já se enfrentaram em 188 oportunidades na história. E o Guarani leva pequena vantagem no confronto, com 65 vitórias contra 60 da Ponte Preta. Mas quem defende um tabu são os ponte-pretanos, que não perdem o dérbi há três jogos, sendo duas vitórias e um empate - a igualdade foi justamente na fase classificatória do Paulistão, quando ficaram no 1 a 1, no Estádio Moisés Lucarelli.
A Federação Paulista de Futebol (FPF) disponibilizou uma carga de 22.156 ingressos para o dérbi de Campinas, sendo apenas 1.156 aos visitantes. Em menos de quatro horas, a torcida da Ponte esgotou as entradas, enquanto os torcedores do Guarani também prometem lotar o estádio.
Por conta do histórico recente de violência entre as duas torcidas, a Polícia Militar armou o maior esquema de segurança da história do dérbi, contando com um efetivo de 900 policiais, sendo que 550 irão trabalhar dentro do Brinco de Ouro e nos arredores do estádio, enquanto os outros 350 ficarão espalhados em diversos pontos da cidade, como terminais e corredores de ônibus.
Bugre mantém suspense
Ainda sem saber o que é perder um dérbi - quatro vitórias e quatro empates -, o técnico Vadão mantém o suspense em relação aos 11 titulares do Guarani. Na quinta e na sexta-feira, ele realizou treinamentos com os portões fechados, testando diversas formações. O único desfalque é o volante Willian Favoni, suspenso pelo terceiro cartão amarelo.
Mesmo trabalhando com cinco opções - Rodrigo Arroz, Everton Páscoa, Medina, Adoniram e Bruno Neves -, Vadão deverá começar jogando com Everton Páscoa, que já entrou na posição no decorrer da partida contra o Palmeiras. “As equipes iriam se enfrentar no decorrer do campeonato. Infelizmente aconteceu agora, em uma semifinal, um jogo que poderia decidir um título. Aliás, este dérbi vale título. É um jogo completamente diferente”, disse o experiente meia Fumagalli, de 33 anos.
Macaca dribla os desfalques
Pelo lado da Ponte Preta, o clima de mistério também contagiou o técnico Gilson Kleina, que comandou um treinamento com os portões fechados em Jaguariúna na sexta-feira e não quis definir o time. Ele também está invicto na história do dérbi - duas vitórias e um empate - e não poderá contar com o volante William Magrão, que vinha atuando improvisado na defesa, e com o volante Cicinho. Os dois estão suspensos e deverão ser substituídos por Diego Sacoman, que não enfrentou o Corinthians por ter seu passe preso ao time da Capital, e Xaves.
Durante os treinamentos, Gilson Kleina testou o atacante Rodrigo Pimpão no lugar do volante Gerson, deixando o time mais ofensivo, mas deve manter o esquema com três volantes e dois meias, apenas com Roger no ataque. E Roger, assim como fez antes da partida contra o Corinthians, profetizou sobre o resultado do dérbi: “Nós vamos vencer. Esses jogos são gostosos de jogar. Depois o Brasil inteiro fica falando bem do seu time”.