“Parecem formigas”. A frase da gerente de uma loja de roupas na quadra 5 do Calçadão da Batista de Carvalho ilustra a ação na manhã de ontem de um grupo de adolescentes no local. Segundo ela, eles invadem, ameaçam, chegam a destruir objetos e roubam. “O maior deles deve ter 13 anos”, conta a vítima, dimensionando o perfil do suposto bando.
A jovem de 26 anos não quer se identificar justamente pelo medo que ronda os lojistas. Ela conta que, por toda a extensão do Calçadão, o grupo está agindo. “Sei de histórias em que eles chegaram a tirar uma faca para a lojista, dentro do estabelecimento”.
Ontem, de acordo com a gerente, chegaram mais uma vez à loja. Na tentativa de retirar o sensor de alarme das roupas, danificaram os produtos. “Estragaram roupas de valor alto da loja”, lamenta.
Quatro dias antes, de acordo com a gerente, o grupo já tinha “visitado” o mesmo estabelecimento. O modo operante de “formigas” teria sido o mesmo. Mais uma vez, quatro adolescentes “desbocados” e com sentimento de impunidade entraram, ofenderam, roubaram e fugiram. “Não sabemos mais o que fazer. É um verdadeiro ‘jogo de empurra’ e ninguém resolve nada”, completa.
A situação é pior a poucos metros dali. Na quadra 4, há uma loja de bijuterias, onde todas as funcionárias são mulheres. “Praticamente todo dia temos algum tipo de problema. Acho que, por ser só mulher, eles abusam ainda mais”, conta a funcionária do estabelecimento.
Segundo ela, as “formigas do crime” agem mesmo na “cara dura”. “Além dos crimes, eles nos xingam dos piores nomes que você possa imaginar. Passam e cospem nas vitrines. Parecem um bando mesmo. Algumas vezes, começam a brigar entre eles. É horrível”, descreve.
Nos dias de maior movimento, um segurança foi contratado pela loja de bijuterias para tentar conter a situação.
Além do medo, resta o prejuízo em cada ação. Se na loja de roupas, eles estragaram e furtaram roupas caras, na de bijuterias, levaram as “maquiagens de maior valor e os produtos de aço inox”.
No dia 8 de março, cinco pessoas foram vítimas de outro “arrastão”. Os crimes foram registrados por toda a extensão da via, tanto dentro quanto fora dos estabelecimentos comerciais. Na ocasião, em pouco mais de três lojas, bolsas, carteiras, dinheiro e joias foram levadas.
Sem alarde?
Apesar das reclamações dos lojistas, a Polícia Militar (PM) aponta que a situação não é tão caótica quanto aparenta. “Não há motivos para este alarde tão grande”, aponta o tenente Pedro Batista Lamoso Júnior, comandante da Base Centro.
A unidade, por sinal, está localizada bem próxima ao Calçadão. “A polícia está muito presente”.
O tenente afirma que muitos comerciantes acabam não informando o fato para a polícia, o que dificulta o trabalho. “Essas crianças acabam muitas vezes nem levando nada.”
A reportagem tentou contato com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), masnenhum responsável foi encontrado na tarde de ontem.