Brasília - A CPI sobre Carlinhos Cachoeira deve ouvir ainda neste mês o empresário acusado de chefiar uma rede de jogos ilegais, conforme plano de trabalho do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), aprovado por parlamentares ontem. Na primeira etapa, Cunha limita as investigações da empresa Delta Construções ao seu ex-diretor da regional Centro-Oeste Claudio Dias de Abreu, sem propor a convocação do presidente licenciado Fernando Cavendish.
A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007. Apesar da blindagem, Cunha negou que as investigações irão se restringir à diretoria do Centro-Oeste ao longo dos trabalhos da CPI. “Queremos investigar a Delta, qual o seu papel na organização criminosa, especialmente no Centro-Oeste. Vamos inclusive investigar o Centro-Oeste, mas não exclusivamente.”
Com maioria folgada na comissão, deputados e senadores governistas aprovaram o texto de Cunha. Os senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) votaram contra. Os três defendem a ampliação das investigações aos demais diretores da Delta já na primeira fase de investigações.
A CPI também aprovou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cachoeira. “A quebra dos sigilos é essencial para termos uma noção melhor de tudo o que ele fez nos últimos dez anos”, afirmou o relator.
A CPI vai começar os trabalhos na semana que vem ouvindo os delegados e procuradores responsáveis pelas operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal - que desmontaram um suposto esquema de contravenção no País que teria em seu comando o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Por maioria, os integrantes da CPI decidiram que a sessão para ouvir os procuradores e delegados será secreta. Cachoeira é apontado pela Polícia Federal como chefe da suposta organização criminosa de exploração de jogos ilegais e tráfico de influência com agentes públicos e privados.
A CPI também aprovou a requisição de técnicos e servidores do Tribunal de Contas da União (TCU), Banco Central, Receita Federal, Controladoria-Geral da União (CGU), Polícia Federal, Coaf e Advocacia-Geral da União (AGU) para auxiliar nos trabalhos da comissão.
Gurgel não vai
Pressionado por integrantes da base aliada, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que não vai poupar suspeitos nas próximas fases da investigação da Operação Monte Carlo.
Gurgel disse que cabe ao Ministério Público Federal, como titular da ação penal, definir os rumos e estratégias da investigação. “O material do inquérito é muito vasto e está sendo analisado com o devido critério e a necessária prioridade, bem como que o Ministério Público Federal, como sempre, não se furtará a investigar quem quer que seja”, completou.
A suposta demora de Gurgel em desencadear investigações específicas contra parlamentares irritou aliados do Planalto, que entenderam que a estratégia do procurador teria beneficiado integrantes da oposição, como o próprio senador Demóstenes Torres (sem-partido-GO) e o governador de Goiás, Marconi Perillo.