Há um conceito popular que pescador é sinônimo de mentiroso. Como advogado e pescador, sou forçado a dizer que, data vênia, não concordo com essa afirmação. Ocorre é que em pescarias acontecem coisas absolutamente inusitadas e que escapam para o campo dos absurdos.
Eu mesmo, desde longa data perambulando por barrancos dos rios, já vivi situações que se assemelham como mentirosas, todavia,são pura verdade.
Vou contar uma delas e deixo o julgamento para os meus queridos leitores, estando dispostos a aceitar o veredicto.
No verão passado, no rio Coxim, no Estado de Mato Grosso, vi na margem uma capivara enorme. Imediatamente, peguei a carabina 44 marca Remington que trazia no bote e me preparei para atirar na capivara.
No exato momento que acionei o gatilho, um dourado pesando mais de 10 quilos pulou no meio do rio e a bala atravessou a cabeça do peixe e ainda matou a capivara na outra margem. Fomos, eu e o piloteiro contratado, primeiramente atrás do dourado e depois de embarcá-lo fomos pegar a capivara já morta.
Aí verificamos que estávamos perto de um pé de pequi, uma fruta maravilhosa e resolvemos colher alguns frutos.
Percebemos que a bala da carabina atravessara o pescoço da capivara e tinha perfurado um tronco de árvore onde saia um líquido escuro, que era mel de abelha Jataí, uma delícia. O piloteiro arranjou duas cabaças e colhemos o mel.
Diante de tantas coisas boas ficamos impressionados e fui para a margem do rio, ergui os braços e disse: "Obrigado, meu Deus". Nisso pousaram em minhas mãos dois paturis selvagens, pensando que elas fossem galho de árvores. Segurei os dois paturis e torcemos o pescoço da ambos para abatê-los. O piloteiro me perguntou se eu era um cara abençoado e lhe respondi que não, era apenas um bom pescador e caçador, nada mais. Quem duvidar que vá para beira dos rios ver o que acontece.
Renato Luchiari