Tribuna do Leitor

Aplausos a uma verdadeira professora


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Lendo o desfecho de um crime hediondo, cometido por um tio-avô em nossa cidade, publicado no último sábado (dia 2 de junho), cujo criminoso estuprou de forma bárbara um bebê de apenas três anos de idade, fico a me questionar sobre o tal dos Direitos Humanos para lidar com casos dessa natureza. Fala-se tanto em "proteger o criminoso", colocando-o em cela separada dos demais encarcerados, mas até que ponto deveríamos poupá-lo de possíveis revoltas? Um "monstro" de quarenta e sete anos que sente prazer em estuprar um bebê de apenas três, sem o mínimo de compaixão, durante seis meses consecutivos, é passível de piedade?

Fico pensando se fosse a minha filha. Direitos Humanos nenhum seriam capazes de me convencer do perdão. Se bem que se fosse minha filha acho pouco provável que um fato grave como esse teria passado despercebido. Se a criança se queixou de dores nas partes íntimas e relatou o fato à professora com detalhes, muito me estranha que não tenha feito o mesmo com pessoas mais próximas da família. Talvez o problema seja justamente esse: confiança em demasia. Vivemos num mundo onde tudo é suspeito até que se prove o contrário. É algo a se lamentar que durante mais de 170 dias essa criança foi vítima de abusos sexuais e ninguém tenha decifrado as consequências visíveis e aparentes desses atos grotescos, criminosos e covardes que estavam sendo praticados. E diante de tão triste história, que chocou os leitores assíduos desse conceituado jornal, há de se parabenizar uma coadjuvante que, a meu ver, foi a grande heroína da trama e merecia, na reportagem, um destaque considerável. Aplausos para essa professora que não se calou diante de um crime absurdo e covarde. Aplausos para essa professora que soube dar a devida e a merecida importância à queixa de uma criança.

Aplausos para essa professora que soube avaliar um olhar, interpretar uma dor e, principalmente, atender um pedido silencioso de ajuda. Aplausos à uma educadora que, através de uma aparente, simples e mecânica troca de fraldas, oportunizou uma confissão inocente e decisiva, revelando a verdadeira face de um criminoso que se escondia dentro de um título carinhoso e confiável: "tio". Aplausos para uma heroína que teve a coragem de denunciar os fatos e delatar um crime sem medo de expor o rosto, sem medo de represálias. Uma professora digna de aplausos, que tem a plena consciência do seu papel social e formador dentro da Educação. Uma professora que cuida, que sente, que interpreta, que decifra e principalmente, que toma decisões.

A essa professora eu realmente curvo-me diante de tão nobre, responsável e carinhoso ato. E a todas as mães que me "escutam", um conselho: desenvolvam a habilidade de interpretar um olhar, redobrem a atenção perante uma aparente e insignificante queixa de uma criança, desconfiem de algo quase impossível de acontecer e por favor, priorizem as coisas que merecem maior atenção em suas vidas, afinal, existem perigos que não moram ao lado, mas dentro da própria casa...

Gilmara Giavarina

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