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Ganho de investidores com juro alto no Brasil está perto do fim


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São Paulo - No caminho para chegar a um país com juros “de primeiro mundo” - como quer o governo -, o investidor brasileiro terá de se acostumar com rendimentos menores nas aplicações tradicionais, sobretudo aquelas que estão atreladas com a variação da taxa básica de juros, a Selic.

 

O sinal mais claro de que o ganho com juros está próximo do fim foi a mudança no rendimento da poupança. Na semana passada, o governo definiu que o rendimento da mais tradicional aplicação do Brasil será de 70% da Selic se as taxas de juros caírem para 8,5% ao ano. 

 

“A vida fácil com os juros altos e renda fixa acabou. Isso pode estimular que o investidor comece a procurar um pouco mais de risco”, afirma Ricardo Ratner Rochman, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de São Paulo.

 

Em 2003, quando a taxa básica de juros estava a 23%, um investimento inicial de R$ 10 mil chegaria a R$ 79 mil num prazo de dez anos. 

 

Hoje, com a taxa a 9% ao ano, a mesma aplicação renderia R$ 23 mil no mesmo período. 

 

“É muita rentabilidade perdida”, diz Mauro Calil, educador financeiro e responsável pelo cálculo. 

 

Na avaliação de Calil, essa queda drástica de rendimento em menos de dez anos não deu tempo suficiente para que o investidor se habituasse com modalidades mais sofisticadas de investimento.

 

 “Tem gente que ainda acha que investir na bolsa é um cassino. Um fundo de investimento imobiliário pode ter melhor liquidez, rentabilidade e segurança do que investir na compra de um imóvel, por exemplo.” 

 

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