Regional

Botucatu usa arma letal e não letal

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

 

A Guarda Municipal de Botucatu( 100 quilômetros de Bauru) foi criada em março de 2006 e entrou em operação em julho do mesmo ano. Na época, o efetivo era de 30 homens e mulheres que cuidavam do patrimônio público. A ideia era reforçar a segurança com foco na aproximação com a comunidade. Seis anos depois, a corporação conquistou espaço junto à população. O efetivo cresceu. Está com 65 homens e mulheres, usa armas letais e não letais e possui 17 viaturas. 

 

Para o comandante interino, Leandro Carreira Destro, a prioridade ainda é a preservação do patrimônio público. “Trabalhamos com patrulhamento e viaturas. Nosso foco é primeiro o patrimonial, que é o objetivo da guarda. Em segundo lugar, tentamos estar junto à comunidade. Onde a comunidade estiver  precisando, nós estaremos lá.  Ao mesmo tempo que a gente está fazendo patrulhamento, coibindo ou prevenindo um ato contra o patrimônio, também estamos inseridos na comunidade.”  

 

Ele frisa que há 100 pontos do patrimônio público sendo “vigiados” 24 horas. “São 52 escolas municipais, postos de saúde e todas as secretarias. Todos esses pontos possuem sistema de alarme.” 

 

O sistema de alarme é monitorado pela guarda municipal. “Se disparar o alarme, recebemos um toque em nossa base e via rádio mandamos uma viatura para o local.” Para atender a demanda, a guarda municipal conta com 17 viaturas. “São motos e carros, temos ainda uma Blazer e uma base móvel, que é uma Sprinter.”

 

O uso de armas letal e não letal é um diferencial da guarda. A pistola Taser é a não letal, usadas em casos extremos de defesa pessoal. Ela dispara uma carga de 50 mil volts que paralisa o sistema nervoso do agressor, por alguns segundos, para contê-lo. “Utilizamos essa arma há quatro anos. Não registramos nenhum acidente ou incidente. Estamos usando da maneira correta, somos treinados, inclusive temos um guarda na corporação que é instrutor dessa arma. Nós formamos esse guarda.” 

 

Já o uso de arma letal é feito por uma equipe especializada. “Temos uma equipe especializada, que é a de ações táticas preventivas. O Gape, Grupo de Ações Preventivas Especiais, usa escopeta 12. Temos também a pistola 380. É um grupo especializado que entra em ação quando a gente faz a segurança em jogo de futebol, no campeonato amador da cidade.” 

 

Para armar a guarda, o município teve que vencer várias barreiras, segundo o comandante interino. 

 

“A cidade tem que ter mais de 50 mil habitantes, tem que ter autorização da Polícia Federal e do Exército. Nós conseguimos, inclusive, um salvo conduto de uma juíza, que nos proporcionou outra situação. Os guardas levam armas para casa, fora do horário de trabalho. Não todos, mas alguns vão para casa com a arma. Porque, no trabalho diário, eles enfrentam situações de riscos, onde têm que cercear a liberdade das pessoas e o problema acaba resvalando na vida particular.” 

 

 

 

Treinamento e reciclagem 

 

Para poder usar as armas, o efetivo da Guarda Municipal de Botucatu teve que ser treinado e passa por reciclagem constante. “A primeira turma foi formada em Osasco junto com a guarda municipal daquela cidade, em 2006. A segunda turma foi formada através de uma empresa parceira, que ministrou as aulas específicas e as demais utilizamos nosso próprio corpo docente.” 

 

Nesse treinamento feito na própria cidade, os guardas ficaram aquartelados durante três meses num espaço da Secretaria de Educação. “Eles receberam inúmeras instruções. Depois foram para o estágio dentro da cidade, antes de atuar.” 

 

O treinamento e as reciclagens fizeram com que a guarda municipal conquistasse a simpatia das polícias Civil e Militar, enfatiza o comandante interino, Leandro Destro. 

 

“Pensamos sempre no conjunto. Fazemos o que é da nossa competência. Quando o serviço vai além, trabalhamos em conjunto com as polícias Civil e Militar.” 

 

Segundo Destro, as operações em conjunto são constantes. 

 

“Recentemente fizemos operações no centro da cidade para coibir o uso indevido de som, a bagunça que gerava muita reclamação de perturbação do sossego. Na semana passada, a Civil, Militar e a Guarda Municipal, em conjunto, cumpriram mais de 12 mandados de busca. Encontramos armas, foragido da Justiça e drogas.” 

 

Na opinião dele, trabalhando de forma correta, a GCM vai alcançar os níveis que almeja. 

 

“Nós procuramos fazer treinamento e curso de reciclagem. Firmamos convênio com a Secretaria Nacional de Segurança Pública e vamos adquirir mais viaturas, mais coletes balísticos. Nosso foco é o treinamento. No segundo semestre vamos estar com mais de 200 horas de treinamento de reciclagem para os guardas. A reciclagem visa principalmente a boa conduta, direitos humanos e melhor atendimento a população.”  

 

 

 

Postos fixos

 

Para coibir as pichações e depredações em prédios públicos, a guarda fixou alguns guardas. “Na prefeitura, por exemplo. Temos ainda duas bases avançadas, uma no terminal rodoviário e outra na área central. No terminal rodoviário, a guarda tem a função de atender a população. Fazer um primeiro contato com quem chega na cidade. Na área central, eles atendem a comunidade e inibem furtos. Estão presentes no horário do funcionamento do comércio. A base fica próxima do ponto de ônibus, em frente ao teatro e a uma importante praça. Todos são uniformizados”, diz o comandante interino, Leandro Carreira Destro. 

 

Ele comenta que a implantação da base do terminal rodoviário, por onde transitam cerca de 1.500 pessoas por dia foi importante para a segurança. “Desde a implantação do posto nunca mais foram registradas ocorrências.” 

 

 

 

Início difícil

 

Há seis anos atuando na cidade de Botucatu, a guarda municipal conquistou o respeito da população. No início foi difícil, comenta o comandante interino, Leandro Carreira Destro. Houve resistência por parte da população. Hoje, a comunidade reconhece e respeita o trabalho. “Assim que a gente foi trabalhando e demonstrando para que viemos, somos reconhecidos. Fomos melhorando. Hoje, a gente recebe em torno de 2 a 3 mil ligações ao mês pelo telefone 199, o mesmo da Defesa Civil. 

 

 A guarda municipal pertence à Secretaria Municipal de Segurança. “Temos verba própria. Nosso gasto maior é com pessoal, a folha de pagamento. Fora isso não tem muitas despesas. A maioria das nossas viaturas foi comprada no primeiro ano e está no prazo de vida útil. Através de um convênio, vamos adquirir mais quatro viaturas. Nosso gasto anual gira em torno de R$ 350 mil.” 

 

 

 

Botucatu é apontada como a cidade mais segura do Interior de São Paulo

 

A soma do trabalho das polícias Civil, Militar e guarda municipal garantiram que Botucatu fosse considerada, pela segunda vez, como a cidade mais segura do Estado de São Paulo entre os municípios com mais de 100 mil habitantes. Os dados referentes ao ano de 2011 foram divulgados pela Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria dos Negócios de Segurança Pública do Estado de São Paulo. 

 

Para chegar a essa conclusão, foram considerados cinco itens: homicídio, roubo, furto, furto e roubo de veículos. Botucatu obteve o índice mais baixo em três deles: roubo, furto e roubo de veículos. A queda foi acentuada. Em 2007, um ano após a implantação da guarda municipal, o município contabilizou 192 roubos. Quatro anos depois, foram 85. 

 

Os furtos e roubos de veículos, que em 2005 somaram 219 casos, caíram para 80, no ano passado. No item homicídio, Botucatu é o quinto com menos casos comparado com as 48 cidades do mesmo porte, exceto a Grande São Paulo. A taxa desse delito por 100 mil habitantes foi de 5,40, abaixo da média do Estado, que atingiu 10.

 

Para o secretário municipal de Segurança e Direitos Humanos, Adjair de Campos, o resultado é fruto dos esforços integrados das polícias Civil, Militar e Guarda Municipal. “A prefeitura investe permanentemente em capacitação do corpo efetivo da GCM, armamentos e sistema informatizados. Temos projetos educacionais e de conscientização como a Patrulha da Paz, Cidadania e Civismo e Corujão, voltados ao combate da criminalidade.” 

 

Segundo o comandante da GCM, atualmente são quatro viaturas 24 horas fazendo ronda na cidade. “Com isso acabamos coibindo o crime. Nossos guardas são pessoas capacitadas, armadas e bem treinadas. A população confia e solicita os nossos serviços. Essa somatória tem resultado. Exemplo disso ocorreu no terminal rodoviário. Antes da implantação, eram registradas várias ocorrências de furtos, pessoas que destruíam e depredavam o patrimônio público. Depois da implantação da base, zerou”, conta Leandro Carreira Destro

 

A base no centro, na área comercial, é integrada. O espaço é para as Polícias Militar, Civil e Guarda Municipal. O objetivo é coibir golpes, como do bilhete premiado, além de oferecer um atendimento rápido. Cidade tem média de 10 a 15 prisões por mês.

 

Estatísticas da GCM de Botucatu (2009/2011)

- 3.138 patrulhamentos escolares;

- 1.335 ações ambientais e rurais;

- 124 veículos apreendidos;

- 32 veículos recuperados produtos de furto e roubo.

 

 

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