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Uso de ferrovia pode ser alternativa

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

 

Os hoje desprezados trilhos das três ferrovias que cortam a cidade (Noroeste, Paulista e Sorocabana) seriam alternativa de transporte urbano, seja através de composições maiores ou por meio dos Veículos Leves Sobre Trilhos, ou VLTs. “A estrutura ferroviária que hoje está deteriorada, jogada às traças, poderia ser muito bem aproveitada, sugere o psicólogo e instrutor de trânsito Ilton Sant’Anna. 

 

Orientador de instrutores e palestrante, Sant’Anna é um dos que defendem a implantação de linhas regulares por via férrea ligando os extremos da cidade, tanto para transporte diário comercial quanto para fins turísticos e educacionais. 

 

No mais, acentua, o primordial acima de grandes ou pequenas obras, é mudança de conduta. “Na Duque de Caxias não se consegue ultrapassar pela esquerda. Ninguém dá passagem. Tem gente que, inclusive, deve passar na prefeitura para ‘pagar a escritura’ por se achar dono da rua”, ironiza. 

 

Por outro lado, argumenta o prefeito Rodrigo Agostinho, a ideia de se implantar o VLT em Bauru esbarraria no alto custo da obra. Em alguns municípios, contudo, observa o chefe do executivo, o Governo Federal incentivaria a obra através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O foco são as cidades com mais de um milhão de habitantes. As exceções são feitas para municípios com 700 mil moradores”, especifica Agostinho. 

 

Já o engenheiro de trânsito Archimedes Raia Júnior também defende o aproveitamento dos caminhos antes abertos pelas ferrovias. Contudo, para ele, a solução não estaria, exatamente, no transporte férreo. “Toda a ligação leste-oeste da cidade passa onde estão os trilhos”, observa ele. 

 

Doutor pela USP e professor de Engenharia e Segurança de Tráfego da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Archimedes é favorável à retirada dos trilhos, que seriam transferidos para o entorno da área urbana. “É interessante para a cidade e para a própria ferrovia”, acredita. 

 

Dentro das soluções – ou paliativos – imediatos, o engenheiro de trânsito defende a revisão sobre algumas rotatórias – a mais crítica, cita, na praça Sugiro Otake (final da Duque de Caxias rumo à Vila Falcão) e o desestímulo ao uso do automóvel, com incentivo à utilização do transporte coletivo. “É também preciso pensar num plano cicloviário para a cidade e, obviamente, trabalhar com a questão da educação”, salienta. 

 

A região central, complementa o especialista, é um capítulo à parte em todo o caos. Ruas cada vez mais apertadas com fluxo dividindo espaço com os carros estacionados, tornam a área cada vez mais inapropriada para a presença de veículos. “Em algumas cidades não se chega mais até o Centro de carro”, argumenta. Outra solução elencada pelo engenheiro, contudo ousada, seria a do pedágio urbano para desestimular o uso do carro. 

 

No entanto, salienta, seria uma medida viável desde que fossem criados todos incentivos e estrutura para deixar o carro na garagem: “alguém tem coragem?”, desafia. 

 

 

Conduta ainda é principal reclamação

 

Ruas saturadas, excesso de veículos. Os grandes problemas do trânsito são acentuados pela falta de educação de condutores e pedestres. “Tem gente que não respeita a sinalização, fecha e te atravessa. Você olha no retrovisor esquerdo e a pessoa ( que pretende ultrapassar) já está no direito”, reclama o arquiteto Cláudio Garcia Castanho de Almeida, 66 anos. 

 

Tidos, em muitos casos, como “vilões”, motociclistas também reclamam de falta de cortesia do “outro lado”. “Há uma disputa acirrada e há agressividade também contra motoqueiro”, pondera o empresário Nestor Neves Júnior, 48 anos, que resolve as pendências do trabalho a bordo de motocicleta. 

 

Essa conduta, acentua, é agravada pela má condição do pavimento, diz ele: “O asfalto está ruim e perigoso para quem anda de moto, com riscos de queda. Levei uma fechada, tentei desviar, e caí num buraco na Nações”, narra. 

 

Por outro lado, há quem observe avanços na qualidade do pavimento em Bauru. “Quando morava aqui achava o trânsito problemático. Mudei para outra cidade (São José do Rio Preto) e lá a situação é pior. O excesso de velocidade é muito grande. Aqui a pista está melhor. A av. Duque de Caxias, na época em que fui embora, estava toda esburacada”, compara a corretora de imóveis Viviane Sodré. 

 

 

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