Paris - O candidato socialista François Hollande é o novo presidente da França, após vencer ontem o segundo turno das eleições para o Palácio do Eliseu. O presidente conservador Nicolas Sarkozy reconheceu a derrota para o adversário, que assumirá o cargo em 15 de maio.
Com 67% das urnas apuradas, Hollande tem 50,8% dos votos, ante 49,2% do rival e candidato à reeleição Nicolas Sarkozy, conforme divulgou a rede americana CNN. Em pesquisa de boca de urna da emissora France 2, o socialista teve 51,9%, contra 48,1% de Sarkozy.
Pouco antes do fechamento das urnas, pelo menos quatro institutos de pesquisa (CSA, TNS Sofres, Ipsos e Harris Interactive) já apontavam uma preferência eleitoral acima de 50% para Hollande.
Com essa virtual vitória, ele se torna o segundo presidente socialista da Quinta República Francesa, fundada pelo general Charles De Gaulle em 1958, depois de François Mitterrand, chefe de Estado de 1981 a 1995.
Em seu primeiro discurso como presidente eleito da França, Hollande afirmou que diminuirá as medidas de austeridade propostas pela União Europeia para reduzir a dívida pública. O discurso foi feito depois de o presidente Nicolas Sarkozy reconhecer sua derrota nas eleições.
“A austeridade já não é mais inevitável’’, afirmou Hollande. “A austeridade fiscal na Europa não pode ser uma fatalidade.’’
O socialista também afirmou que os franceses “escolheram a mudança’’, em referência ao adversário conservador, que tentava a reeleição. “Estou feliz por ter trazido de volta a esperança’’.
“Comprometo-me a servir meu país com a entrega e o modo exemplar que requerem a função’’, em discurso em Tulle, no centro da França, antes de viajar ao comitê central na capital Paris. “Quero ser o presidente de todos. Somos apenas uma nação, que vive com justiça, liberdade e igualdade’’.
Hollande ainda garantiu a recuperação dos serviços públicos, como saúde e educação.
Sarkozy
“Aceito essa derrota por causa dessa França aberta, democrática’’, disse Sarkozy, aclamado aos gritos de “Nicolas, Nicolas’’ por uma multidão em Paris.
“Tentei fazer o melhor para proteger o povo francês. Apesar dos milhões que votaram em mim, nós falhamos. Vocês me apoiaram, mas não tivemos êxito’’, acrescentou.
Sarkozy ainda pediu que o UMP, seu partido, permaneça unido para as eleições parlamentares, que acontecerão em junho.
“Não se dividam, permaneçam unidos. Temos que ganhar a batalha das legislativas’’, afirmou o presidente em reunião fechada com partidários.
O chanceler francês do governo Sarkozy, Alain Juppé, foi o primeiro ministro a se manifestar sobre o pleito, e voltou a dizer que o foco do partido serão as eleições legislativas.
“Sarkozy fez uma campanha magnífica. Os milhões de franceses que votaram nele merecem essa consideração. Nós não o abandonamos, voltaremos na batalha das legislativas’’.
Le Pen
A líder da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, afirmou que o presidente Nicolas Sarkozy e seu partido foram os responsáveis pela vitória do socialista François Hollande.
“Foi Nicolas Sarkozy que permitiu a vitória de François Hollande”, declarou a líder da extrema direita ao canal de televisão TF1. Le Pen foi uma dura crítica de Sarkozy e disse que votaria em branco no segundo turno.
A ex-candidata ainda criticou Hollande, afirmando que os dois postulantes participantes do segundo turno não vão mudar a política econômica francesa. “Nem um nem o outro são capazes de fazer uma recuperação do nosso país, para se opor à política neoliberal.”
Terceira colocada no primeiro turno das eleições francesas, com quase 18% dos votos, Le Pen denunciou “todos os dirigentes da UMP que não pararam de dizer que votar nos socialistas não seria tão ruim, tão dramático”.
A líder ainda duvidou sobre as intenções do novo presidente de mudar o tratado econômico europeu.
“Ele diz que vai reformar o tratado, mas, na verdade, não quer variar o seu conteúdo”.