Hortência de Fátima Marcari, a Rainha Hortência, ex-jogadora de basquetebol e, atualmente, diretora de seleções da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), revelou na terça-feira (8) que o basquete feminino brasileiro busca uma armadora estrangeira para ser naturalizada brasileira, como no caso do recém-naturalizado brasileiro Larry Taylor, jogador da Associação Bauru Basketball Team.
A ex-jogadora esteve ontem em Bauru para o lançamento do Centro Telefônica/Vivo de Basquetebol, do qual ela é madrinha e que já começa com três núcleos formados. (Leia mais abaixo).
Hortência revelou que a procura por uma armadora norte-americana para a Seleção Brasileira feminina vem desde 2010. Porém foi a masculina que encontrou primeiro um norte-americano de jogo excepcional, com vontade e determinação para disputar as Olimpíadas com a camisa da Seleção Brasileira. Mês passado, o processo de naturalização de Larry chegou ao fim e ele está mais empolgado do que antes para representar o Brasil em Londres, a partir do mês que vem.
“Essa ideia começou de uma ideia minha. Estou há dois anos procurando uma atleta para entrar como armadora da Seleção Brasileira e eu não encontrei”, explica. Hortência ressalta que, para o feminino se terá que procurar alguém fora do País, diferente do caso Larry que já atuava no Brasil. Para a diretora da CBB, essa situação exige muito critério e não se pode distribuir a cidadania brasileira a esmo. “Não se pode errar. Eu preciso de uma armadora para 2016 e estou em busca dela ainda”, reafirma sua pretensão.
Hortência lembra que a ideia teve resistência no início, porém não há como recuar dela porque todos os países estão atraindo atletas estrangeiros. “Uma época fui falar com o ministro e ele disse: ‘está louca?’. Falei que a gente tem que andar de acordo com o mundo. O mundo está globalizando. Numa dessas conversas surgiu a oportunidade do Larry, que todo mundo brigou para que ele fosse naturalizado o mais rápido possível. Estou muito feliz”, completa.
Olimpíadas
Ao comentar a perspectiva da Seleção Brasileira feminina de basquete nos Jogos Olímpicos de Londres, Hortência citou que basquete é momento e os amistosos contra outras seleções vão balizar as chances brasileiras. “Só uma equipe é um degrau acima e que não é impossível de ganhar, que são os Estados Unidos. O resto, acho que vai depender muito daquele momento de chegar com nossa jogadora principal sem estar machucada e chegar com todo mundo”, avalia.
Do elenco reunido para treinos em Jundiaí desde o dia 3 deste mês, ela cita a pivô Érika, que acaba de ser eleita uma das três melhores jogadoras do mundo na atualidade pela Federação Internacional de Basquetebol (Fiba). A revelação Damiris, uma ala/pivô de 19 anos, foi considerada a melhor jogadora do último Campeonato Mundial Sub-19. Hortência pontua a experiência da armadora Adrianinha e a qualidade da ala/pivô Iziane, 30 anos.
Polêmica
Retrocedendo na história de Iziane vestindo a camisa da Seleção, há um histórico de polêmicas. Iziane ficou marcada como uma jogadora problemática a partir de 2008, quando se recusou a entrar em quadra durante uma partida contra Belarus no Pré-Olímpico, contrariando ordens do então técnico Paulo Bassul. Ainda naquele ano, o treinador trocou farpas com a atleta através da imprensa e não a relacionou para os Jogos de Pequim. Seu retorno foi bancada pela interferência da direção da CBB.
Ontem, Hortência desenhou um novo momento da jogadora que sugere uma intervenção institucional. “Ela está há dois anos na Seleção Brasileira e vocês não ouviram um problema com relação a ela. O que aconteceu foi antes da nossa entrada. A Iziane não foi para WNBA (Estados Unidos), tá treinando com todo mundo e não é problema para nós”, define.
O técnico da seleção feminina é Luís Cláudio Tarallo, uma aposta da CBB. Hortência avalia que Tarallo não tem experiência de Olimpíadas, porém chegou sua vez entre os pretendentes, mês que vem em Londres. A diretora da CBB, elenca que, quando chegar no Rio de Janeiro, em 2016, Tarallo terá passado por Olimpíadas, Mundial, Panamericano e Copa América. “Ele vai chagar muito mais experiente para as Olimpíadas de 2016, que é nosso objetivo”, revela Hortência.