Bairros

Nos passos da cidadania

Da Redação
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O corpo violado, a infância dilacerada, o silêncio perpetuado por anos, o medo. As marcas deixadas pela violência praticada contra crianças e adolescentes são muitas - e muitas vezes eternas -, mas este tipo de crime ainda está longe de ser erradicado da sociedade. 

 

A cada dia, pelo menos uma delas sofre algum tipo de agressão em Bauru. 

 

O número se refere apenas às vítimas que são atendidas pelos programas socioassistenciais da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que iniciou, ontem, uma programação especial para celebrar o Dia Nacional de Combate e Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado no próximo dia 18. 

 

Segundo dados da pasta, entre janeiro e abril deste ano, foram registrados 208 casos de meninos e meninas entre zero e 17 anos que foram alvo de violência. As denúncias incluem agressões físicas ou psicológicas dentro de casa, abuso e exploração sexual, negligência ou abandono. As tentativas de homicídio e as mortes – como a da pequena Vitória Graziela Fernandes de Lima, 6 anos, assassinada e carbonizada na semana passada pelo ex-namorado de sua mãe – não estão contabilizados no levantamento. 

 

Somente os abusos, foco da campanha desencadeada pela Sebes, são responsáveis por 16% dos registros, totalizando 33 vítimas nos quatro primeiros meses do ano, uma média de uma ocorrência a cada quatro dias. 

 

De acordo com a titular da pasta, Darlene Tendolo, na maioria das vezes, os crimes chegam à secretaria por meio de denúncias anônimas, mas professores, vizinhos e parentes dos pequenos também ajudam a formar a rede de segurança e combate a este tipo de crime. 

 

“As pessoas ainda temem represálias, por mais que o sigilo seja garantido. Mas, geralmente, são pessoas conhecidas que levam os casos ao nosso conhecimento. Também atendemos denúncias das polícias e encaminhamentos do Conselho Tutelar”, enumera, salientando que o volume de notificações tem crescido ano a ano.

 

 

Vulneráveis

 

Segundo o estudo da Sebes, 75% das vítimas tem até 12 anos de idade, em sua maioria meninas oriundas de famílias de baixa renda. Neste caso, o agressor mais comum é o pai ou padrasto, que abusa da criança dentro do ambiente doméstico.

 

“Os pequenos são mais vulneráveis porque têm menos recursos para se defender e procurar ajuda. A sensação de impunidade estimula o agressor a agir”, salienta Naiara Maria de Farias, presidente do Conselho Tutelar (CT) da região 2.

 

 

Garotos

 

Já os meninos, segundo ela, são abusados, muitas vezes, por adolescentes ou crianças mais velhas, até mesmo dentro do ambiente escolar. 

 

“É algo mais vinculado à descoberta do corpo. Temos casos de crianças de 10 anos que abusam de outras com 4 ou 5 anos”, revela, acrescentando que são raros os abusos envolvendo garotos com mais de 12 anos de idade.

 

“Nesta idade, é mais comum que sejam aliciados para a prostituição e explorados sexualmente”, completa.

 

Quando um caso de abuso chega ao conhecimento da Sebes, do Conselho Tutelar ou da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), um profissional capacitado para lidar com o assunto visita a casa da vítima para verificar a veracidade da denúncia. 

 

Se constatada a procedência da violência, um boletim de ocorrência é registrado e, paralelamente às investigações policiais, o atendimento no Centro de Referência Especializados da Assistência Social (Creas) é iniciado. 

 

 

‘Faça Bonito’ reúne 400 crianças de entidades

 

Na tarde de ontem, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) deu início a uma série de atividades para comemorar o Dia Nacional de Combate e Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado oficialmente no próximo dia 18. O primeiro evento, realizado no Teatro Municipal, foi o Show de Talentos “Faça Bonito - Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”, que contou com a participação de cerca de 400 crianças de 13 entidades assistenciais de Bauru vinculadas a Sebes (foto acima). 

 

Por meio de atividades lúdicas, como apresentação de números circenses, de dança, música e teatro, o objetivo foi orientar e prevenir os pequenos sobre como denunciar e combater situações de violência. “De maneira leve, mas direta, queremos fazer com que as crianças saibam como se proteger de possíveis agressores. E incentivá-las à denunciar, já que, muitas vezes, os abusos ficam impunes porque se sentem acuadas pelas ameaças de quem pratica a violência”, salienta a titular da Sebes, Darlene Tendolo.

 

Nos dias 7 e 8 de maio, a pasta promove um encontro com educadores dos serviços sócios-assistenciais para abordar o tema, sempre a partir das 8h30, na própria secretaria. No dia 17, a juíza Rossana Curiani Mergulhão ministrará a palestra “Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual”, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Bauru. 

 

 

A quem recorrer

 

Sebes - (14) 3227-7684 ou 3234-1090 

Conselho Tutelar - (14) 3227-3339 ou 3227-3499 

Polícia Militar - 190 

Em todos os casos, a denúncia pode ser feita de maneira sigilosa.

 

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