A história da moradia estudantil da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru parecia ter fim com a inauguração do primeiro bloco, com 16 apartamentos e 32 vagas, em fevereiro deste ano. No entanto, sem mobiliário, os alunos não podem ocupar o local, um dos motivos que gerou uma manifestação no câmpus na noite de anteontem.
O grupo de alunos, que se pronunciou por meio de nota e preferiu não identificar nenhum responsável específico pela manifestação, criticou a quantidade de vagas tendo em vista que o câmpus de Bauru é o maior da Unesp, com quase 6.000 estudantes apenas na graduação. Por isso estamparam no muro das salas “70” desenhos de alunos e frases como “Moradia não é esmola, é direito”.
“Essa não é a primeira mobilização dos estudantes. Os processos reivindicatórios datam de 1989, e, desde então, a luta dos estudantes persiste. Entre as maiores mobilizações, destacam-se um abaixo-assinado realizado em 1999 e a ocupação da diretoria do campus, deliberada em assembleia no ano de 2003, denominada ‘Eu Quero Uma Casa no Campus’”, diz a nota.
‘Geografia’
Um outro questionamento dos estudantes é a localização da moradia, que fica distante da universidade, no cruzamento de uma rodovia. Segundo os manifestantes, o local não possui iluminação adequada e não é seguro.
“Além disso, não há lojas, restaurantes ou mercados por perto, e apenas uma linha de ônibus chega até o local”, criticaram ainda, por meio de nota.
Depois de muitos trâmites, a moradia estudantil do câmpus da Unesp de Bauru teve seu primeiro bloco com 16 apartamentos concluído em fevereiro deste ano.
No entanto, as vagas ainda não estão abertas porque o local não conta com mobiliário, que deve chegar até o final deste semestre, segundo o presidente do câmpus, Jair Manfrinato, que ficou sabendo da manifestação através do JC.
“Não faz sentido o aluno que tem condições ficar na moradia. É para quem realmente necessita e, por isso, que eu acho o número de vagas, até o momento, suficiente. Depois que terminar o segundo bloco, no segundo semestre, estudaremos se há necessidade de construir mais. Nós já oferecemos uma série de bolsas de apoio para os estudantes”, diz Manfrinato.
Com relação à localização da moradia estudantil, ele garante: “Não é tão distante e assim que tiver demanda serão disponibilizadas mais linhas de ônibus. Este local ainda será asfaltado e bem iluminado”.
Em tempo: o segundo bloco, também com 16 apartamentos e 32 vagas, será entregue até o final do ano. Para se alojarem na moradia, os estudantes passarão por avaliação socioeconômica de uma comissão provisória, também responsável por divulgar este edital.