Tribuna do Leitor

Ótima notícia!


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Que grata e justa notícia tomou a primeira página do nosso nomeado Jornal da Cidade. Um juiz de Direito que convive presencialmente com várias situações de crianças abandonadas, deficientes intelectuais ou socialmente desajustadas, ativo e inquieto com os menos favorecidos pela sorte, autoridade que muitas vezes assumiu até exames médicos de pessoas ouvidas no seu Gabinete, tal o envolvimento e missão que assumiu dentro do seu labor de magistrado de primeira linha. E ainda encontra tempo na sua agenda tumultuada para fazer passeios com crianças e adolescentes. Até no Shopping Center eles passeiam. Nós que vivemos no dia a dia os problemas e avanços dos deficientes mentais de todas as faixas etárias, há alguns meses discutimos com professores, mães de alunos e especialistas da educação, tanto a necessidade de um cuidador para cada aluno deficiente intelectual da rede estadual, quanto um auxiliar docente para cada classe de alunos deficientes intelectuais, pois nos momentos emergenciais, físicos ou neurológicos, até a funcionária de serviços gerais se transforma em ajudante pedagógico ou cuidador. Enfim, todo mundo vira tudo para atender integralmente a pessoa necessitada. Basta passar um dia na Apiece para constatar. Tenho informações documentais que a Diretoria de Ensino de Bauru, através de suas supervisoras, embasadas em Lei Estadual, estão agilizando um cuidador para cada aluno deficiente na Rede Estadual e a Apiece está oferecendo parceria na escolha. Foi realmente um avanço, mas ainda em análises e tramitação para acontecer no mês de agosto de 2012.

Só que fica um vácuo nas escolas especiais privadas ou ONGs, como é considerada nossa instituição, pois não existe recurso para contratação nem de um auxiliar docente, prometido pelo atual governador do Estado, e a Secretaria de Educação do Município de Bauru, apesar de muito diligente, afirma ser impossível mais um profissional para cada sala de aula de no mínimo doze (12) alunos com deficiência intelectual. Ninguém conta com as eventualidades de emergência, inclusive a utilização de banheiros (banho mesmo) e das bacias sanitárias em razão de descontrole muscular. Sem falar no fantasma da convulsão que não avisa quando vai aparecer e é um verdadeiro transtorno para o aluno, equipe de funcionários e famílias. E a cadeira de rodas exige um adulto para comandá-la. Para entender a complexidade e as ações desenvolvidas e improvisadas, muitas vezes, é preciso conhecimento próximo, presencial e constante. Em Bauru, um nobre juiz, Ubirajara Maintinguer, ousou ordenar porque conhece bem o tema e vivencia suas consequências se não houver muita prevenção e vigilância. Sabíamos que apenas matricular o aluno deficiente intelectual na rede pública não seria suficiente para existir inclusão; o aluno ficaria muito mais excluído se não tivesse apoio para sua alimentação, higiene e locomoção, posturas básicas para continuidade de suas lições na sala de aula. Precisaram errar muito para verificarem que a inclusão só vale com dignidade, liberdade e igualdade por inteiro.

Excelentíssimo doutor Ubirajara, o juiz das causas que antes eram perdidas, pedimos e esperamos nessa caminhada de ineditismo da Justiça pelos deficientes intelectuais, que nunca desanime, criando novos formatos de igualdade, direitos e ações sociais saudáveis.

Aproveito a oportunidade de reconhecimento para registrar que solicitei à Secretaria de Saúde do Município vacinação na escola contra a gripe, por motivos que nem precisam ser detalhados e gostaria que Vossas Excelências tomassem ciência.

Afinal, são oitenta e cinco deficientes intelectuais entre crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos. Essa carta é extensiva ao promotor público da Infância e da Juventude, doutor Lucas Pimentel de Oliveira, pelas atitudes intensas e firmes em prol dos carentes de nossa Bauru. Autoridade quanto mais próxima, mais eficiente.

Catarina Carvalho

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