Bairros

Jovem que sumiu tem conta ?zerada?

Tisa Moraes com redação
| Tempo de leitura: 5 min

 

Um mistério que desafia a polícia. Um estudante universitário de 29 anos desapareceu na noite da última terça-feira, em Bauru, e teve a conta bancária “zerada”, segundo confirmou a família dele na tarde de ontem ao JC. No mesmo dia em que sumiu, Anderson Murilo Correa havia recebido o salário da empresa de sistemas eletrônicos em que trabalha. O dinheiro que foi depositado em conta sumiu e a Polícia Civil ainda não descobriu em qual terminal bancário o saque foi efetuado.

 

Segundo informações de parentes e amigos, Anderson saiu de casa por volta das 20h de terça-feira para ir à faculdade, mas ele não chegou a assistir às aulas. No Facebook, ele teria postado, às 19h40, a mensagem “Bora tomar um banho para ir pra facul”, segundo relata a irmã, Iara Regina Corrêa Barbosa, 31 anos.

 

“Foi a última notícia que a gente teve dele”, lamenta. Anderson é aluno do terceiro semestre do curso de engenharia mecatrônica da Universidade Paulista (Unip) e, conforme registros eletrônicos das catracas da instituição, ele entrou no campus pela última vez no dia 26 de abril. 

O jovem, que é pai de uma garota de 10 anos, mora há cerca de um ano em uma república com mais quatro amigos, na Vila Santa Tereza, próximo ao Centro da cidade. Na tarde de terça, ele chegou a pagar o aluguel do imóvel em uma imobiliária e fazer compras em um supermercado. 

 

À noite, depois de tomar banho, saiu de casa apenas com o material escolar dentro de uma mochila. “Desde então, não tivemos mais nenhuma informação sobre ele. Não levou o aparelho celular e é a primeira vez que fica tanto tempo fora de casa sem nos avisar”, explica o amigo de república, R.H.R.B., que preferiu não se identificar.

 

A mãe de Anderson, Maura Regina Corrêa, 50 anos, conta que não percebeu nenhum comportamento anormal do filho antes do seu desaparecimento. Com ele, ela diz que mantinha uma relação estreita, com contatos telefônicos diários. 

 

“Falei com ele pela última vez na segunda-feira à noite. Tinha dias em que nos falávamos duas, três vezes ao dia. Ele nunca foi de nos deixar sem notícias”, observa.

 

 

 

Sem inimigos

 

Normalmente, o estudante costumava ir de carro à faculdade. Mas, como o veículo estava quebrado há cerca de três dias, estava tomando ônibus depois de fazer um pequeno trajeto a pé. A mãe acredita que ele tenha sido abordado por criminosos enquanto caminhava até o ponto de transporte coletivo.

 

“Ele pode ter sido sequestrado para roubarem o dinheiro da conta dele. A minha cabeça está a mil por hora e o coração, apertado. Não consigo entender por que ele não voltou ainda”, diz a mãe, angustiada. 

 

De acordo com ela, Anderson é um rapaz caseiro e não possuía inimigos. Recentemente, vinha se esforçando para reconstruir o relacionamento com a esposa, com quem tem uma filha. Por este motivo, familiares descartam a hipótese de ele ter desaparecido espontaneamente.

 

“Apesar de viver em república, ele estava sempre na casa da mulher. Estava numa fase tranquila. Não havia motivos para ele abandonar a vida que vinha tendo”, salienta.

 

O amigo de república comenta que a convivência na casa sempre foi harmoniosa e, assim como Maura, frisa que a rotina e o comportamento de Anderson não fugiram da normalidade antes de seu sumiço. “Ele tomou banho e foi para a faculdade como faz todos os dias. Não conseguimos entender o que pode ter acontecido”, complementa R.

 

Mesmo sem pistas, a família, entretanto, mantém as esperanças de reencontrar o parente. “Vamos continuar procurando. O que a gente não pode é perder a fé”, diz a mãe. Quem tiver notícias sobre o jovem pode acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 ou, ainda, anonimamente, pelo telefone 181.

 

 

 

Em busca de pistas

 

Na noite de ontem, a irmã de Anderson, Iara Regina Corrêa Barbosa, foi com a esposa e a filha do irmão até a Universidade Paulista (Unip) em busca de pistas que pudessem indicar o paradeiro do estudante. Segundo informações do diretor da unidade, Aziz Kalaf Filho, o aluno esteve no campus pela última vez no dia 26 de abril, das 19h24 às 20h44.

 

“Temos um controle muito rígido de entrada e saída da instituição. Ele pode até ter passado em frente à universidade na última terça-feira, mas não chegou a entrar. Aliás, de acordo com os registros, ele sempre saía do campus antes do término das aulas”, afirma. 

 

Ele também descarta a possibilidade de Anderson ter sido abordado por bandidos nos arredores da universidade. “A portaria fica muito próxima ao ponto de ônibus e tudo é muito bem iluminado e movimentado. É improvável que isso tenha acontecido”, defende.

 

 

 

Outro caso

 

Desde o dia 2 de maio, um jovem de 28 anos também está desaparecido em Bauru. Segundo informações de parentes, Rubens Medeiros de Assis, 28 anos, teria sido visto pela última vez nas imediações do Terminal Rodoviário. 

 

Ele mora em uma pensão localizada na quadra 1 da rua Campos Salles, na Vila Falcão, mas mantinha contato diário com a família. De acordo com o pai, Rubens Bassit de Assis, 61 anos, o rapaz é usuário de crack e deixou de morar com a família para se esconder de traficantes que o teriam ameaçado de morte. 

 

“Na noite do dia 2, eu o deixei em frente ao Albergue Noturno, próximo à rodoviária, e nunca mais o vi. Não tenho ideia do que possa ter acontecido”, comenta. O jovem tem 1,84 metro de altura, cabelo liso, castanho escuro e curto. É magro e possui tatuagens no braço direito e na perna. 

 

 

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