Bairros

Onde há fumaça, há protesto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

 

Foi na base do “grito” que os moradores da Vila São Paulo conseguiram resolver um problema que afetava o bairro há pelo menos 15 dias. Para pressionar o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a conter um vazamento de água na quadra 9 da rua Baltazar Batista, eles atearam fogo em pneus e colchões para bloquear a via no início da tarde de ontem. 

 

O protesto surtiu efeito. Por volta das 16h, uma equipe de manutenção da autarquia já estava no local para consertar a tubulação. O vazamento havia sido tão intenso que um enorme buraco se abriu no asfalto, prejudicando o fluxo de veículos.

 

De acordo com o organizador da manifestação, que não quis se identificar, cerca de 20 moradores participaram da iniciativa. “A gente perdeu a paciência. Tentamos negociar com o DAE inúmeras vezes, de maneira educada. Mas ninguém nos deu ouvidos”, pondera.

 

Segundo ele, foram mais de dez queixas registradas junto à autarquia, mas nenhuma providência foi tomada. “O buraco cheio de água e terra transformou a rua num barro só. Muitos motoristas desavisados passavam e quase quebravam o carro. Não dava mais para esperar”, acrescenta.

 

A comerciante Ester Gonçalves Silveira, 38 anos, conta que, anteontem, um veículo precisou ser guinchado depois de cair na armadilha que se formou no meio da rua. Embora não tenha participado do protesto, ela também demonstrou indignação com a inércia do departamento. 

 

Ester conta que o vazamento, naquele ponto, é antigo e nunca foi consertado como deveria. “Esse problema já existe há um bom tempo. A prefeitura recapeou a rua sem mexer nos tubos e o asfalto começou a ceder. Eu mesma liguei várias vezes para o DAE, mas ninguém apareceu para arrumar”, reclama.

 

De acordo com a assessoria de imprensa do DAE, a autarquia registra cerca de 35 chamados diários por conta de vazamentos de água e outros 20 referentes a vazamento de esgoto. De fato, a situação vivenciada pelos moradores da Vila São Paulo não é uma realidade isolada.

 

 

 

Cheiro forte

 

Os problemas estão por toda parte. No Parque Real, a vizinhança da quadra 10 da avenida das Bandeiras sofre há pelo menos um mês com o forte odor do esgoto de corre na calçada em direção à rua. “No começo da tarde, quando o sol está mais forte, o cheiro fica insuportável. A gente até perde a vontade de almoçar”, comenta a faxineira Maria Aparecida Teodoro, 44 anos, destacando que telefonou diversas vezes para o departamento para solicitar o reparo.

 

O DAE informou que o vazamento foi registrado na última segunda-feira e que o conserto deve ser concluído no decorrer da próxima semana.

 

Já na quadra 1 rua Santa Rita, próximo à Praça da Amizade, no Jardim Redentor, um vazamento de água completou 40 dias sem nenhuma solução. Conforme a assessoria de imprensa do DAE, a última queixa foi registrada no dia 19 de março e o problema teria sido resolvido no mesmo mês.

 

A afirmação é rebatida pelo motorista Júlio Gonçalves dos Santos, 57 anos, que mora em um imóvel ao lado do vazamento. “A água está jorrando tanto que até o muro de uma casa em frente começou a trincar. O asfalto está cedendo e a terra embaixo do asfalto, sendo levada. Mas o DAE disse que esse atendimento não é prioridade”, lamenta.

 

 

 

Prioridade

 

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) destaca que são prioridades os vazamentos que apresentam maior volume e com afundamentos ou buracos nas vias públicas, que podem causar acidentes. O prazo para conserto, nesses casos, é de 24 horas.

 

Também recebem atendimento de urgência os vazamentos de esgoto nos poços de visita da autarquia e retorno de esgoto dentro do imóvel, que devem ser reparados em uma hora após o registro da reclamação. 

 

Os vazamentos considerados pequenos são sinalizados e incluídos no cronograma de manutenção para os devidos reparos. As queixas devem ser relatadas ao Serviço de Atendimento ao Público (SAP) da autarquia, que funciona 24 horas por dia pelo telefone 0800 7710195. 

 

 

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