Na tarde de ontem, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), prendeu outro envolvido no assassinato da vendedora Fernanda Tripodi. Antônio Carlos Ferraz, 40 anos, foi preso em seu local de trabalho. De acordo com as investigações, ele é amigo do ex-marido da vítima, que foi preso há quase dois meses pelo crime e estava detido sob prisão temporária. Um terceiro acusado do crime ainda está foragido, mas deve se entregar em breve.
O pedido de prisão preventiva do trio foi aceito ontem pela Justiça. O titular da DIG, Kleber Granja, concluiu o inquérito de mais de mil páginas na segunda-feira e apresentou ao Ministério Público (MP). O promotor criminal João Henrique Ferreira representou pela prisão de todos os envolvidos, o que foi aceito e pedido ontem pela 4.ª Vara Criminal de Bauru.
Além do ex-marido da vendedora, Roberto Carlos Fagundes, 44 anos, as investigações colocaram outros dois homens como autores do crime. Ambos amigos de Fagundes, Antônio Carlos Ferraz e Carlos Henrique dos Santos Alves Leite, 31 anos, teriam participado do homicídio e da ocultação do corpo de Fernanda.
“Temos provas técnicas, materiais e circunstanciais de que eles estavam envolvidos, assim como o Fagundes, ex-marido da Fernanda”, confirma o delegado Kleber Granja, sem, entretanto, revelar quais seriam estas provas para não atrapalhar o caso. “Só iremos passar o restante das informações quando todos estiverem presos”.
Alguns dias após o desaparecimento de Fernanda e a fuga do ex-marido da vítima (leia mais abaixo), Antônio Carlos e Carlos Henrique chegaram a ser presos temporariamente pelo crime. O prazo da prisão expirou e, sem o corpo da vendedora ou mais provas significativas, ambos foram liberados.
Foragido
Logo após os mandados de prisão preventiva serem expedidos ontem, a polícia localizou e deteve Antônio Carlos Ferraz. Entretanto, não teve a mesma sorte com o outro acusado. “Procuramos o Carlos Henrique dos Santos Alves Leite na residência dele e no local de trabalho informado. Infelizmente, não conseguimos localizá-lo”, conta Granja.
Entretanto, ainda ontem, a advogada do acusado teria entrado em contato com a DIG negociando sua apresentação. “Ele informou, por meio da advogada, que vai se apresentar à polícia entre 24 e 48 horas. Estamos confiantes de que isto ocorra”, acredita o titular da unidade policial.
Os mandados emitidos ontem pela Justiça atingem ainda Roberto Carlos Fagundes, que, apesar de já estar preso de forma temporária no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, agora cumprirá a preventiva na mesma unidade prisional.
Já Ferraz iria ser conduzido até a Cadeia de Pirajuí e, depois, trazido também ao CDP. Todos ficarão detidos até o final do processo e o consequente julgamento.
“É um sentimento de missão cumprida. O caso foi um enorme quebra-cabeça que teve dois ingredientes muito complicadores: a fuga do principal suspeito e a ocultação do cadáver. Mas foi um quebra-cabeça que a Polícia Civil conseguiu resolver”, comemorou o titular da DIG, Kleber Granja.
Mãe de Fernanda sonhou com ‘os Carlos’ presos
“Uma mulher com o cabelo enrolado chegou e disse que ‘os Carlão’ tinham sido presos. Eu perguntei como ela sabia e ela me disse que morava perto da casa deles”. Esta foi a descrição do sonho que Antônia Maria de Oliveira Tripodi, 55 anos, mãe de Fernanda, teve na semana passada.
“Os Carlão” seriam exatamente Antônio Carlos Ferraz e Carlos Henrique dos Santos Alves Leite. “O que me chamou a atenção foi que ela disse que eram ‘os’. Então, eu soube que os dois iam ser presos”, conta.
Alguns podem achar que a história foi inventada ontem após os mandados serem expedidos. Errado. Sonho profético ou não, ele foi relatado por Antônia para a reportagem do JC na última segunda-feira.
“Graças a Deus que eles estão sendo presos. Dá um alívio maior, apesar de nada trazer minha filha de volta. Espero que o outro, que ainda está foragido, seja preso logo”, desabafa a mãe de Fernanda Tripodi.
Relembre o caso
Fernanda Tripodi, 26 anos, desapareceu em 17 de dezembro de 2009 após sair de sua casa, localizada no Núcleo Nova Bauru, com o carro da família. Na ocasião, ela deixou dois filhos - hoje com idades de 6 e 11 anos – e a polícia passou a suspeitar de latrocínio.
A hipótese ganhou força poucos dias após, quando o veículo da vendedora de roupas foi localizado com bastante sangue no porta-malas. Logo, porém, o marido de Fernanda, Roberto Carlos Fagundes, virou o principal suspeito nas investigações. Antes que fosse capturado, ele fugiu.
Somente em outubro do ano passado, uma nova pista apareceu: duas mulheres encontraram uma ossada na estrada municipal Bauru-Santelmo. No mês passado, veio a confirmação divulgada com exclusividade pelo JC: os ossos eram da vendedora.
Uma semana depois, Fagundes foi encontrado em Santa Catarina, mas não pela suspeita do crime pelo qual era procurado. Foi preso pela polícia daquele Estado por espancar sua atual companheira.
No dia 3 do mês passado, após mais de dois anos de angústia, os familiares conseguiram finalmente dar adeus a Fernanda Tripodi. Ela foi enterrada no Memorial Bauru.