Bairros

Em 3 meses, casos de gripe crescem 62%

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 6 min

 

O inverno ainda não chegou, mas os casos de gripe e de doenças infecciosas transmitidas por vias aéreas já começaram a lotar os Pronto-Socorros de Bauru. De janeiro a março deste ano, o número de pessoas que apresentaram sintomas de gripe nas unidades de urgência e emergência aumentou em 62,5%. 

 

Levantamento realizado pelo médico e diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) do Pronto-Socorro Central (PSC), Luiz Antônio Bertozo Sabbag, junto ao programa “Sentinela” - implantado pelo governo do Estado para ajudar a detectar casos de H1N1 (gripe suína) nos municípios - mostra que o quadro de doenças caracterizadas como síndrome gripal tem aumentado cerca de 30% por mês nas unidades de urgência de Bauru.

 

Em janeiro deste ano, dos 12 mil atendimentos realizados no Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e PSC, 1.598 pessoas foram detectadas com quadro de saúde gripal. Em fevereiro, de 13 mil atendimentos, o número subiu para 2.107 pacientes gripados, chegando a 2.598 infectados no mês de março, que registrou 14 mil consultas nas unidades. 

 

Conforme o diretor do DUE explica, o atendimento total das duas instituições atingiria cerca de 15 mil pacientes por mês. O balanço de abril e maio ainda não foi contabilizado pelas unidades. Os casos registrados nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) dos bairros também não entraram nas estatísticas.

 

Para Sabbag, o aumento de casos envolvendo gripe nessa época do ano é considerado normal entre crianças e idosos. “Quanto mais frio, chuva e vento, maior é a incidência de casos. Muitas pessoas acabam contraindo infecções e, ao não cuidar como se deve, o quadro da gripe ou de uma amidalite pode evoluir para uma doença mais grave e em vias inferiores, como uma broncopneumonia”, alerta o médico.

 

De acordo com ele, o estudo levou em consideração casos de Infecções em Vias Aéreas Superiores (IVAS), como resfriados, gripe, sinusite, rinite e amidalite para amostragens. 

 

“Os médicos, às vezes, colocam no diagnóstico quadros de amidalite, sinusite e IVAS. Não dá para considerarmos somente o resfriado ou a gripe, pois nem sempre conseguimos um diagnóstico preciso”, reforça.

 

 

 

É gripe?

 

Na manhã de ontem, a reportagem do Jornal da Cidade esteve nas imediações do Pronto-Socorro Central e do Pronto-Atendimento Infantil e observou a movimentação nas unidades, que estavam lotadas por volta das 11h.

 

Cristiane Ferreira, 37 anos, acompanhava o filho Danilo Cristiano Ramalho, de 10 anos, que estava entre as diversas crianças com sinais de gripe entre os pacientes à espera de atendimento.

 

“Ele passou mal a noite toda com dor na garganta, dor de cabeça, dor no corpo, tosse e febre, por isso viemos ao PS”, relata Cristiane, que ao passar pelo setor de triagem para a consulta teve constatada a febre de seu filho, com temperatura de 38 graus.

 

O padrasto de José Henrique Gonçalves, de 3 anos, auxiliar de produção André Nunes da Silva, também resolveu levar o garoto ao médico após ser acionado pela direção da creche dizendo que o pequeno estava com muita tosse e secreção. “Ele vomitou na escolinha, está com tosse e com o peito ‘cheio’”, conta o rapaz, que aguardava atendimento desde as 10h na unidade.

 

A pequena Layla Lanzetti Rodrigues, de 7 anos também estava acompanhada de sua mãe, Tânia Rúbia Lanzetti, 45 anos, à espera da consulta no PAI. Há uma semana tossindo, a menina, que segundo a mãe tem sinusite, rinite e bronquite, também apresentava sinais de gripe. “Ela está com o peito cheio e passou mal a noite toda com febre. Fizemos até inalação em casa, mas não adiantou”, afirma Tânia.

 

 

No limite

 

Apesar do aumento no número de atendimentos nessas unidades, que de janeiro a março registraram uma diferença de 2 mil consultas, o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, destaca que a demanda maior próximo ao inverno já era esperada e que a estrutura das unidades não será modificada.

 

“A equipe acaba dando conta dos atendimentos e nós já estamos no limite do espaço físico”, ressalta o médico, que para resolver a lotação das unidades de emergência do Centro da cidade, aposta na criação de novas UPAs. “Temos uma UPA que será inaugurada até o final do mês de junho no Ipiranga. Com isso, os atendimentos devem descentralizar um pouco mais” completa Sabbag.

 

A respeito da lotação presenciada pela equipe do JC nas unidades na manhã de ontem, o médico rebate dizendo que o movimento do PSC e do PAI, no início da semana, é ‘mais puxado’ do que o dos outros dias. 

 

Segundo ele, em uma segunda-feira, os médicos do PAI e do PSC atendem mais de 750 pacientes, enquanto aos finais de semana esse número gira em torno de 400 atendimentos.

 

 

Chuva e frio

 

O início do inverno será no dia 21 de junho, entretanto, as chuvas e os ventos nessa época de transição do outono causariam uma sensação térmica que costuma deixar noites e dias mais gelados. 

 

Conforme explica a meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru, Rita Cerqueira Lopes, “uma frente fria que estacionou sobre o Estado faz com que as chuvas e o vento ajudem algumas regiões de baixadas e pontos altos da cidade a ter uma sensação térmica em até 2 graus a menos que a temperatura mínima”.

 

Para os próximos dias, as temperaturas não deverão apresentar variações bruscas. Segundo a previsão do site do Ipmet, hoje a mínima deve ser de 17 graus e a máxima de 25, com probabilidade de 30% de chuva durante o dia. Já na quarta-feira o tempo continua nublado, mas a possibilidade de chuvas cairá para 5%. 

 

Na quinta-feira a temperatura mínima prevista é de 15 graus e há possibilidades de pancadas de chuva à tarde. Na sexta-feira, o sol deve aparecer entre nuvens e a temperatura mínima chega a 14 graus.

 

 

Vacinação contra a gripe continua nos postos de saúde

 

Com objetivo de diminuir a incidência de casos de gripe, a Secretaria Municipal de Saúde, através do Departamento de Saúde Coletiva e Divisão de Vigilância Epidemiológica, iniciou no dia 5 de maio uma campanha de vacinação que acompanha o calendário nacional.

 

Até o momento, 9.164 pessoas foram vacinadas, o que corresponde a 15,73% do total da população estimada como público-alvo em Bauru.

 

As doses da vacina continuam disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde da rede municipal até o dia 25 deste mês, a partir das 8h até os horários de expediente de cada uma delas - 17h, 19h ou 21h -, além dos postos especiais de vacinação.

 

Devem receber as doses da vacina idosos a partir de 60 anos, gestantes, crianças com idade entre 6 meses e 2 anos, indígenas e profissionais atuantes no atendimento ao público das redes privada e pública de saúde. 

 

 

Influenza

 

A influenza ou gripe é uma infecção viral que afeta o sistema respiratório, mais precisamente o nariz, a garganta e os brônquios. O contágio ocorre de forma direta através de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir ou espirrar ou de forma indireta, por meio das mãos que, após contato com superfícies recém-contaminadas por secreções respiratórias, pode levar o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz. 

 

A doença pode se apresentar desde uma forma leve e de curta duração, até formas clinicamente graves e complicadas.

 

 

 

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