Cultura

Magia musical

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

 

“Sem horas e sem dores/Respeitável público pagão/Bem-vindos ao Teatro Mágico”. O jeito de brincar com as palavras em “Sintaxe à Vontade” é apenas um dos atrativos e diferenciais do grupo O Teatro Mágico. Música, poesia, dança, circo -  esse grande sarau de linguagens vai desembarcar em Bauru no próximo dia 25, na antiga Dolce, a partir das 23h.

 

Depois de oito anos de trabalho, mais de 400 mil CDs vendidos e o DVD ultrapassando 120 mil cópias, a trupe festeja o projeto de “A Sociedade do Espetáculo”. O novo trabalho tem seu diferencial na inovação estética musical, capaz de reunir elementos da música internacional com uma forte brasilidade. A proposta é de um disco mais maduro, questionador, sem deixar de lado questões de amor e relacionamento.

 

E, para falar um pouco mais do formato do novo show, o Jornal da Cidade traz entrevista com Fernando Anitelli, o grande idealizador da trupe e desse trabalho. Confira os principais trechos: 

 

 

JC -  Quais são as principais influências musicais do novo CD e também poéticas?

 

Fernando -  Em cada álbum buscamos mudar as nossas referências justamente para amadurecer e conceber novidades ao público, tanto sonoras e poéticas. A gente pesquisou bastante e queria atingir uma sonoridade que fosse bem brasileira e, ao mesmo tempo, moderna. Na Sociedade do Espetáculo, musicalmente falando temos fortes referências que vão de Clube da Esquina a Dave Matthews Band. Aliás, em uma das faixas, tivemos a participação de Jeff Coffin,  que é o saxofonista da Dave Matthews. Na parte poética, fizemos um estudo sobre Fernando Pessoa, sobre o poeta Sergio Vaz e tem um pouco de Carlos Drummond de Andrade.

 

 

 

JC -  As músicas trazem batidas de rock em algumas faixas. Este estilo está mais evidente neste novo trabalho?

 

Fernando -  Na verdade não há um estilo mais em evidência. Temos rock e também batidas latinas, além de muita pulsação brasileira. Mas há, realmente, mais timbres de guitarra. Essa é uma nova fase musical da banda, em que convidamos o Daniel Santiago pra produzir o álbum. Ele trouxe influências bacanas. Estamos também com novos músicos, como o renomado baixista Thiago Espirito Santo. Trouxemos muitas pessoas de um universo qualificado de arranjos para somar com a poesia do Teatro Mágico, que está mais maduro, melhor arranjado, com ritmos variados, com um pouco do mítico, da crítica, da narrativa.

 

 

JC -  Me fale da preocupação em inserir assuntos polêmicos, políticos e sociais nas canções...

 

Fernando -  Isso é inevitável. A arte é essencialmente política, pois quando estou falando algo estou atingindo milhares de pessoas. Tudo que está presente em nosso cotidiano, tudo o que afeta a gente, como a mecanização do homem no trabalho, o preconceito, a democracia na comunicação... não tem como não abordar esses assuntos. A faixa “Amanhã... Será?” , por exemplo, fala da primavera árabe. Mas ao mesmo tempo a gente também fala de amor, de outras relações. 

 

 

 

JC -  Qual expectativa para o show em Bauru?

 

Fernando -  Das melhores possíveis. Bauru sempre nos recebeu com muito carinho e respeito. A gente espera poder celebrar com todo mundo da cidade.

 

 

 

JC -  E qual será o formato deste novo show? Quais as novidades em apresentações circenses, nas danças, no improviso, no cenário?

 

Fernando - Estamos com sete músicos no palco, dois artistas circenses, figurino novo, cenário novo, músicas novas, letras novas, números aéreos novos. Tem muito balé, dança coreografada, mas tem também improviso, coisas do circo do palhaço clássico. E também algumas surpresas que a gente segura. Eu mudei muito minha maneira de escrever neste álbum. No primeiro, usava mais aliterações, brincadeiras com palavras, as sílabas e as sonoridades. Agora temos outra maneira de traduzir as aflições e alegrias.

 

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