Internacional

Mladic provoca sobreviventes de Srebrenica durante julgamento

Reuters
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Haia - O general servo-bósnio Ratko Mladic,  apelidado de “açougueiro dos Bálcãs”, provocou os sobreviventes do massacre de Srebrenica, passando a mão pelo pescoço como quem corta uma garganta, no primeiro dia do seu julgamento por genocídio, ontem.

 

Mladic, de 70 anos, entrou no plenário do tribunal de Haia batendo palmas e fazendo sinal de positivo. Ele pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado o principal responsável pela morte de 8.000 homens e meninos muçulmanos desarmados durante a Guerra da Bósnia, em 1995, naquele que foi o pior massacre na Europa desde o fim da 2a Guerra Mundial.

 

Na galeria lotada, a mãe de uma vítima sussurrou várias vezes a palavra “urubu”, enquanto os promotores iniciavam a leitura das acusações. Mais tarde, Mladic encarou uma muçulmana da plateia e passou a mão sobre a garganta, num gesto que levou o juiz Alphons Orie a interromper a sessão e adverti-lo contra “interações inapropriadas”.

 

Mladic, usando terno escuro e gravata, tomava notas enquanto escutava o promotor Dermot Groome dizer que o réu e outros servo-bósnios dividiram o território da antiga Iugoslávia conforme critérios étnicos, implementando um plano comum para exterminar os não-sérvios. “A promotoria apresentará evidências mostrando além de qualquer dúvida razoável a mão do sr. Mladic em cada um desses crimes”, disse ele.

 

Mais de 20 mães de vítimas do massacre se reuniram em frente ao tribunal. Algumas levavam cartazes, como o que dizia: “Mladic, o maior assassino de gente inocente e crianças”. Slobodan Milosevic, que morreu durante seu julgamento. Mladic é o último protagonista das guerras balcânicas dos anos 1990 a ser julgado no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia, com sede em Haia. Mladic, que foi preso em maio de 2011 após passar 16 anos foragido.

            

 

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