"Miseráveis, têm até pé de galinha para comerem...", foi o que eu ouvi de um produtor de cana da região de Ribeirão Preto, quando a TV mostrou cortadores de cana (isso há 30 anos) que faziam um ligeiro almoço coletivo numa praça pública. O repórter mostrou que a comida básica e única era arroz com pé de frango (ou galinha). Daí a revolta do orgulhoso fazendeiro, que mais se parecia um "senhor de engenho" proibindo o consumo de carne, feijão e mandioca àqueles que lhe davam excesso de dinheiro e luxo. Nossos heróis cortadores de cana eram brasileiros contemporâneos e não escravos. Tinham que ter carteira assinada e teriam que trabalhar sob a proteção da Legislação Trabalhista e Previdenciária. Não obstante serem produtivos, ganhavam mal, moravam mal, se nutriam mal e se medicavam pior ainda. Enquanto isso seus patrões, em curto prazo, comemoravam com fartura a magnífica colheita, ultrajando seus empregados, rindo-se deles talvez na presença de "fiscais" propinados desse tempo.
Paulo Cézar Razuk, professor aposentado da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unesp, apõe com notável clareza (uma raridade de crônica social), o que há com o Mundo, ou seja, com a população terráquea dita civilizada, e o que poderá acontecer com todos nós num futuro próximo (e só não vê quem não quer), quando a tecnologia cresceu a passos largos e a moral sequer "engatinhou". Razuk passa ao leitor a mais pura verdade da história moderna de nossa Raça Humana. Agrega com invejável conhecimento social, tanto a Karl Marx e Engels, que, independentemente de serem acusados de materialistas, poder-se-ia dizer que são aliados do Cristo no que diz respeito à "Salvação" e não a "Destruição" da Humanidade Terrestre. (Obs.: veja "Afundaremos juntos"- JC de l5.05.20l2).
Antônio Ribeiro Corrêa