Turismo

Portugal

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 5 min

Entre a Alta e a Baixa

Lisboa, a encantadora capital portuguesa, é a principal porta de entrada no país. Já que a vocação histórica de Lisboa é a de ser um ponto de partida - não se esqueça que, nos séculos 15 e 16, de seu porto zarparam grandes navegadores em busca de terras desconhecidas -, comece por ela a exploração do Velho Continente.

Não hesite em dedicar pelo menos uma semana à cidade. Visite a Alta e a Baixa, olhe para os sobrados com azulejos na fachada, alguns ainda à espera de uma boa recuperação. Um elemento a mais a compor o charme local.

Prepare-se para conhecer a Baixa, ou Centro Histórico, a pé. Comece pela Praça do Rocio, uma das paradas obrigatórias. Cercada por pequenas ruas, em que circulam bondes (os famosos elétricos amarelos), ônibus e carros, liga-se à Praça do Comércio pela Rua Augusta, um movimentado centro comercial onde há lojas centenárias. A Praça do Comércio, com seu portal e suas arcadas pintadas de amarelo, era local de desembarque dos navegadores

Com alguma disposição, vale seguir até a Praça dos Restauradores, subir na Avenida da Liberdade, espiar os preços proibitivos de suas grifes, fotografar a estátua do Marquês do Pombal na praça homônima e terminar a caminhada no Parque Eduardo VII.


Chiado e a zona do Carmo

Da Baixa, pode-se, ainda, seguir para outros três bairros históricos: o Chiado, o Bairro Alto e a zona do Carmo. Para ascender ao Carmo, o meio de transporte fundamental é o Elevador de Santa Justa (ingressos a 2,60 euros). O convento, a igreja e o largo do Carmo, que foi palco da Revolução dos Cravos, em 1974 merecem uma conferida.

De volta ao elevador, siga pela Rua do Carmo em direção ao Bairro Alto e ao Chiado.

Ainda que seja só para olhar a vitrine, pare no número 87 da via, onde está a Luvaria Ulysses, que só vende.... luvas. Feitas à mão, chegam a valer 50 euros (o par).

Dependendo da hora em que você chegar ao Bairro Alto, terá uma impressão diferente do local.

À noite, verá grupos de jovens caminhando de um bar ao outro e pessoas com mais idade à procura das excelentes casas de fado ( grande parte em Alfama). Durante o dia, ficará impressionado com a quantidade de ateliês e lojas de design. De saída do Bairro Alto, deixe-se tomar pela inércia rumo ao Chiado, o vizinho sofisticado, com suas magazines internacionais e escolas de arte frequentadas desde sempre por intelectuais e gente abonada. A primeira escala- indispensável-deve ser no Café A Brasileira (rua Garrett, 120; 00-351-21-346-9541). Aberto em 1905, era o preferido de Fernando Pessoa (há até uma estátua do escritor na porta). Entre as boas livrarias do Chiado, a filial da Bertrand (rua Garrett, 73-75; 00-351-21-346-8646) tem um acervo bem rico.


De bonde para aulas de história

Numa caminhada ou num passeio de bonde, por qualquer região de Lisboa que você passar, terá contato com monumentos ou pontos históricos relacionados ao rico período dos Descobrimentos - séculos 15 e 16 -, quando Portugal dominava, ao lado da Espanha, as grandes navegações.

Belém é parada obrigatória. O bairro que fica às margens do rio Tejo foi onde Vasco da Gama traçou o caminho marítimo para a Índia. A mais importante construção histórica da região é o Mosteiro dos Jerónimos (Praça do Império; 00-351-21-362-0034; entrada a 4,50 euros), erguido em 1501 a mando do rei Dom Manuel I e tido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

O edifício de fachada branca, imponente, só foi concluído um século depois, mesclando o estilo gótico tardio e elementos de renascimento, além de motivos religiosos, naturalistas e até náuticos em sua arquitetura.

Atualmente, funcionam em seu interior o Museu da Marinha e o de Arqueologia.

Ali, no templo do mosteiro, mais precisamente na Igreja de Santa Maria de Belém, estão os túmulos de Vasco da Gama (à esquerda de quem entra), do poeta Luís de Camões (à direita) e, na nave central, os de D. Manuel I e da rainha dona Maria.


Padrão do Descobrimento e a Torre de Belém

Basta atravessar a avenida, saindo do Mosteiro dos Jerónimos para chegar ao Padrão do Descobrimento, um monumento inaugurado em 1960, em homenagem aos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, um dos pioneiros das navegações. Lá, há uma rosa-dos-ventos esculpida em mármore no chão, que exibe todas as grandes terras descobertas por Vasco da Gama, Cabral e outros navegadores.

A rosa fica aos pés de uma enorme nau de concreto, belíssima, de onde se vê a Ponte 25 de Abril, na região das Docas de Alcântara. Caminhando cerca de 500 metros chega-se ao cartão-postal mais representativo da cidade: a Torre de Belém (entrada a 3 euros). Que serviu no passado entre outras coisas, como forte de defesa do estuário do rio.

Trata-se de um monumento manuelino do século 16. A torre é quadrangular e sua fachada tem balcões e varandas ricamente esculpidos nos estilos veneziano e árabe. A torre que parece enorme nas fotos e cartões-postais, na verdade corresponde a um predinho de dois andares. Mas enorme diante do que representa para os portugueses que na época das grandes navegações eram os donos do mundo.


Pastéis de Belém

Retornando em direção aos Jerónimos, deixe-o para trás e parte para um mundo de delícias: rumo à antiga Confeitaria de Belém (rua de Belém, 84-92-00-351-21-363-7423; www.pasteisdebelm.pt).

Em seus belos salões azulejados são servidos, diariamente, cerca de 10 mil pastéis de nata, quitetu-símbolo do local.

Nos finais de semana o número triplica. Originalmente os pastéis eram produzidos pelos mestres-pasteleiros que trabalhavam no Mosteiros dos Jerónimos. A casa está aberta desde 1837 e por nenhum dinheiro do mundo a receita é revelada.

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