Pesca & Lazer

História de Pescador: Pintado no buraco do tatu


| Tempo de leitura: 2 min

Esse fato se deu em meados de outubro de 2010 e sei que muitos leitores vão achar que se trata de uma grande lorota, mas, como sempre pesco acompanhado, tenho como provar! Bem, como todos sabem, nessa época do ano chove muito e o Rio Paraná costuma encher bastante, tanto que as águas chegam até a invadir as ilhas. Naquela ocasião, estava eu e meu companheiro de pesca, um mestiço japonês maluco por pescarias que conheço desde que nasceu, pois se trata de meu filho.

Estávamos apoitados desde cedo, esperando pelas piaparas, mas, já era perto das 14 horas, e nada das danadas. Foi quando tive a feliz idéia de convidar o Tuca para entrar em uma lagoa ali perto nas proximidades do Rio Bahia e tentar capturar alguns tucunarés para salvar a pescaria. Ele aceitou na hora, mas ao chegarmos à entrada da lagoa, devido aos muitos aguapés ali existentes, não conseguimos passar com o barco. Então, resolvemos amarrá-lo no barranco, apanhamos cada um de nós somente uma vara, algumas artificiais matadeiras e lá fomos em direção à lagoa.

No trajeto, andando com bastante dificuldade por causa do lamaçal ainda existente, ouvimos um barulho que vinha da direção de uma enorme figueira; novamente o barulho se repetiu, como se fosse algo se debatendo na água; então aguçamos o ouvido, quando o Tuca falou baixinho: "Pai, acho que é uma capivara", no que eu respondi: "Não, não é não! Deve ser um jacaré". Mas ao nos aproximarmos mais da figueira, cujas raízes estavam à mostra, constatamos tratar-se de um peixe que estava atolado em um buraco de tatu, em meio às raízes, com apenas o rabo de fora, se debatendo. Puxamos o peixe para fora, e, para nossa surpresa, era um pintado de aproximadamente uns 8 quilos. Mas a surpresa não parou aí: ouvimos novamente barulhos idênticos ao redor da figueira, quando o Tuca deu a volta e já gritou para mim: "Pai, cê não acredita, aqui cada buraco tem peixe!".

Resumindo, tivemos que fazer várias viagens para transportar os peixes até o barco.Confesso que, de todas as pescarias que fizemos, essa foi a mais fácil e produtiva, a não ser aquela em que um dourado de 15 quilos saltou, e caiu dentro do barco, mas essa eu conto em outra ocasião. No momento, estamos pensando na próxima enchente.


Contada por Antonio Barbatto e publicada na revista Pesca & Cia.

Comentários

Comentários