Economia & Negócios

Feirão negocia R$ 158 mi em imóveis

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

A oitava edição do Feirão da Casa Própria da Caixa Econômica Federal (CEF), realizada ontem em Bauru, bateu o recorde de negócios imobiliários encaminhados no ano passado, que ainda serão formalizados ao longo da semana. Foram R$ 158 milhões firmados junto a empresas do ramo e à própria CEF. Em 2011, o valor foi de R$ 74 milhões. Famílias e trabalhadores da classe C, com renda mensal entre R$ 1 mil e R$ 2 mil, formaram a maior parcela do público, que lotou o ginásio do Serviço Social da Indústria (Sesi).

Marcaram presença também oscasais que pretendem oficializar a união em breve, mas já desejam iniciar a vida em comum, com o sonho da casa própria realizado. A facilidade de crédito dos últimos anos tornou, praticamente, um pré-requisito a compra do primeiro apartamento por esses jovens.

É o caso da vendedora Vivian de Alexandre, 24 anos, e do soldador Edson Marçullo, 29 anos. O amplo leque de oportunidades no Feirão atraiu os dois, que buscam melhores preços, localidade privilegiada e qualidade no imóvel para fecharem negócio antes do casamento, marcado para o final do ano que vem. “Aqui a gente tem muitas possibilidades para pesquisar, concentradas em um só lugar”, comenta a jovem.

Edson conta que o casal prefere comprar uma casa a um apartamento, em razão de sua paixão por animais. Vivian lembrou, porém, que um quintal e mais espaço também seriam oportunos para a espera dos futuros filhos.

Depois de muitos anos, quem também deu início ao sonho da casa própria ontem foi a técnica de enfermagem Ivanir Amabile dos Santos, 45 anos. Depois de muitos anos tentando fechar negócio, ela já deixou tudo encaminhado no Feirão. “A maior dificuldade era pagar a entrada, mas consegui a possibilidade de financiar este valor em 22 parcelas”, explica.

Ivanir pretende morar em seu próprio apartamento junto com a filha de 14 anos, já que seus dois outros filhos estão prestes a se casar. “Vai ser, com certeza, uma vida nova”, comemora.


Superintendente destaca bom momento


Os resultados positivos do 8º Feirão da Casa Própria da Caixa foram atribuídos ao panorama favorável do mercado imobiliário pelo superintendente regional do banco, Geraldo Luiz Machado de Oliveira. “O programa Caixa Melhor Crédito baixou todas as taxas de juros. Elas nunca estiveram tão baixas. Na habitação, chegam a 4,6%, o que é muito interessante”, pontua.

Segundo ele, este fator aliado à evolução da renda, ao prolongamento de prazos para financiamento e a disponibilização de produtos mais inteligentes, com preços acessíveis, faz com que o momento seja um dos mais oportunos para a compra de imóveis.

Além disso, o superintende ressalta que o Feirão é uma excelente oportunidade para que os interessados tenham acesso a um amplo leque de opções, onde podem conhecer todas as oportunidades e escolhê-las com calma. “É a união de quem constrói, quem vende, quem financia e quem quer comprar”, define.

No local, além dos stands de imobiliárias e construtoras, funcionários da Caixa Econômica Federal prestaram atendimento aos interessados, com a análises de financiamento, simulações, além de abertura de contas e informações para crédito comercial e financiamento de veículos. “Providenciamos atendimento total. Só não tinha como sacar dinheiro”, brinca Geraldo Oliveira.

Empresas comemoram sucesso

Com participação em outras edições do Feirão da Casa Própria, a Moraes Imobiliária superou suas expectativas nesta edição do evento. “A política de juros adotada pela Caixa e a grande mídia gerada em torno disso, nos animou a estar aqui mais uma vez. Antes da feira acabar, posso atestar que não poderíamos ter feito melhor escolha. Durante a semana, ainda vamos sentir os reflexos do evento”, afirma o corretor de imóveis Wagner Figueiredo.

A empresa ofereceu grande número de ofertas de imóveis de tipos variados, desde apartamentos mais populares até unidades em condomínios fechados.

No entanto, a ‘bola da vez’ no mercado imobiliário são as unidades habitacionais voltadas à população com rende de 3 a 10 salários mínimos, que contam com subsídios de até R$ 17 mil e outras facilidades proporcionadas pelo programa ‘Minha Casa Minha Vida’. “Temos disponíveis 15 empreendimentos, que se encontram em diferentes fases. Mas nossos principais produtos estão focados neste público e os resultados do Feirão foram animadores neste sentido”, conta o coordenador de vendas da MRV Engenharia, Ricardo Zerlotti Macena.

Ele completa que, diferentemente de outras cidades da região, o ‘Minha Casa’ é estendido à compra de imóveis de até R$ 130 mil. “Isso se dá em razão do tamanho da cidade. Em Botucatu, Marília e Araraquara, por exemplo, esse teto é de R$ 100 mil. Com certeza, esse é um diferencial que favorece Bauru”, explica.

Diretor da imobiliária Residem, que dividiu stand com a Casa Alta Construções Ltda., Ércio Luiz Domingues destaca que a maior parcela do público é de jovens entre 18 e 30 anos, que aproveitaram a oferta de imóveis comercializados por R$ 109 mil. “A saída foi muito grande”, pontua.

Busca por casas

Sócia-proprietária da Maré Empreendimentos Imobiliários e da Maré Construtora, Berenice Almeida Costa também se satisfez com a participação das empresas no Feirão da Caixa. Ela acredita que a oferta de casas na faixa de R$ 130 mil, que serão construídas na Vila Industrial, fez diferença. “A maior parte das ofertas é de apartamentos. Nós oferecemos casas e as pessoas buscam por isso, principalmente o nosso público-alvo, que são as pessoas com rende de três a seis salários mínimos”, conta.

Segundo Berenice, até o horário do almoço, 25% das 91 unidades do empreendimento já haviam sido efetivamente reservados.

Os resultados também foram positivos para a Gobbo Engenharia, que lançou empreendimento de 280 casas, que serão construídas em Agudos. “O preço e a localização na cidade vizinha, muita próxima, são diferenciais. São oportunidades muito atrativas”, pontua Toninho Lisias de Castro.

O administrador da Gobbo endossou o discurso do momento favorável para a comercialização de imóveis e destacou a importância do crescimento e estabilidade no setor. “A construção civil é a maior geradora de postos de trabalho, porque sua mão-de-obra nunca poderá ser substituída por maquinário”, enfatiza.

Terrenos


Proprietária da Pavani Imóveis, Maria Geralda Ferreira Pavani destaca que, só o stand de sua empresa, encaminhou cerca de R$ 32 milhões em negócios imobiliários, que deverão ser concretizados ao longo da semana. Além do público interessado nos imóveis inseridos no ‘Minha Casa’, ela destaca a grande procura por terrenos.


 

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