Com simpatia e uma dose certa de bom humor, Roberto Bil Alves Barbosa abriu as portas de sua casa à equipe do JC para contar suas histórias. Conhecido desde a infância simplesmente como Bil, ele adotou o apelido de menino quando participou da vida pública da cidade.
“Bil contador” está na profissão há mais de 45 anos. Entretanto, ele também é advogado tributário, previdenciário e da área de Imposto de Renda. Além disso, o entrevistado de hoje também tem diplomas de administração de empresas e ciências econômicas.
Homem que preza a amizade e a família, Bil também é exemplo de que com força de vontade é possível vencer grandes obstáculos: “Fumei por 50 anos. Cheguei a consumir três maços de cigarro por dia e consegui me livrar do vício”, conta.
Apreciador das coisas boas e simples da vida, não é difícil encontrar esse adepto da pescaria em suas horas vagas caminhando pelas feiras de Bauru: “Eu gosto muito de feiras e vou a todas. Gosto de ver as pessoas, conheço todos os feirantes.Vou para bater papo e comprar”. Leia mais a seguir.
Jornal da Cidade - Achei que “Bil” fosse um apelido. Faz parte do seu nome?
Roberto Bil Alves Barbosa - Na verdade é um apelido de infância que virou nome. Não sei de onde veio o apelido. O mesmo acontece com meus irmãos. O nome do “Ney” é Alberto e do “Zé” é Humberto. Isso desde criança. E na época, por questões políticas, eu decidi mudar meu nome acrescentando “Bil”. Acho que nem minha mãe sabe que meu nome é Roberto (risos).
JC - Qual é a sua história com a política?
Bil - Em 1976, eu me filiei à Aliança Renovadora Nacional (Arena) e, de 1976 a 2000, eu fiquei no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e fui presidente desse partido durante 14 anos. Depois fui para o Partido Popular Socialista (PPS) e me desfiliei no ano de 2004. Hoje não faço parte de nenhum partido.
JC - A política foi uma desilusão?
Bil - Não seria esse o caso, mas algumas pessoas foram desilusão. Eu participei diretamente do governo do Nilson Costa, fui diretor e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), além de diretor da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab). Algumas histórias que você conhece porque já ouviu falar, quando você está dentro do sistema, você vê que são verdadeiras e ainda pior do que você já conhecia. Então, antes de acabar o governo do Nilson, eu me desfiliei do partido, que era o mesmo. Já tinha avisado que eu era o primeiro suplente de vereador, mas eu não assumiria o cargo caso fosse necessário por causa de algumas coisas que eu presenciei e tive conhecimento mais detalhadamente. Eu fui candidato a vereador por duas vezes e uma como vice-prefeito. Mas não quis mais participar.
JC - Então a política é um capítulo encerrado?
Bil - Graças a Deus.
JC - O senhor também participou efetivamente de clubes como o Rotary, certo?
Bil - Participei do Rotary por cerca de cinco anos, mas eu não tinha tempo para me dedicar. Já me dedicava à maçonaria, onde estou há mais de 30 anos. Mas ainda mantenho contato e amizade com o pessoal do Rotary.
JC - O senhor é um colecionador de diplomas?
Bil - (Risos) Sou formado em ciências contábeis, ciências econômicas, administração de empresas e direito. Eu sempre gostei muito de estudar. Não tinha notas inferiores a nove. Acho que por gostar de estudar eu fui um bom menino. Nasci na Vila Falcão, onde minha mãe de 85 anos ainda vive. Ela tem um pique invejável e caminha cerca de cinco quilômetros por dia.
JC - E quantas décadas o “Bil contador” já acumula?
Bil - Trabalho como contador e advogado em Bauru e região. Como contador já somo mais de 45 anos, isso com diploma, porque eu já trabalhava antes da faculdade. Comprei um escritório em 1972 que já tinha 34 anos de vida. Encerrei-o agora e tenho clientes de mais de 60 anos. É gente que já faz parte da família. Comecei como contador na Sadia, depois fui para a Antártica e fiquei com o escritório. Também fui perito da 5ª Ciretran por 22 anos, diretor do Sindicato dos Contabilistas por 39 anos, atendente do Albergue Noturno por quatro anos e participo da Bauru Transparente (Batra).
JC - Como foi largar o cigarro depois de fumar por 50 anos?
Bil - Eu estava no grupo escolar quando comecei a fumar, devia ter uns 10 anos de idade. Naquela época isso era até chique, mas eu fui o único fumante da família. Eu fumava muito, cerca de três maços por dia, e decidi parar. Fiz uma tabelinha e fui reduzindo a quantidade de cigarros dia a dia até que cheguei aos três cigarros. É muito mais fácil parar de fumar três cigarros do que 60 deles. Acho que essa foi a vitória mais difícil que eu conquistei. A abstinência da nicotina é muito difícil. Tive tonturas por muitos dias.
JC - Qual é a mensagem de incentivo que o senhor deixa para quem quer parar de fumar?
Bil - Todo mundo consegue, basta querer. Mas é preciso querer de verdade, só meio querer não resolve. É preciso fazer uma programação. Uma boa dica é colocar no papel e seguir à risca. Parar de uma vez é mais difícil. Por método, ir reduzindo a quantidade, facilita muito.
JC - Esse foi um desafio. E um momento difícil?
Bil - Uma tristeza foi perder um irmão e um sobrinho de câncer. São perdas tristes, mas não são as piores coisas do mundo. São ciclos. Sou espírita e acredito que isso faz parte do ciclo da vida.
JC - Uma grande felicidade?
Bil - Tenho e tive muitas, mas acho que ter conhecido minha esposa foi a maior delas. Somos casados há 43 anos, temos dois filhos e quatro netos. Éramos bem jovens quando namorávamos e precisamos apressar nosso casamento porque, em 10 meses, morreram o pai e a mãe dela. Ficaram ela e dois irmãos ainda pequenos. Casamos e criamos os meninos. Conseguimos encarar o problema e superar com alegria.
JC - Um passarinho me contou que o senhor é figurinha carimbada nas feiras de Bauru...
Bil - (Risos) Sou, sim. Eu gosto muito de feiras e vou a todas. Gosto de ver as pessoas, conheço todos os feirantes... Então vou bater papo e comprar. Minha filha e minhas netas são vegetarianas e sempre estive na feira comprando produtos frescos. A feira para mim é um passeio cinematográfico. Tem gente que gosta de shopping, eu gosto de feiras (risos).
JC - Então passear pelas feiras é outro hobby?
Bil - Acho que sim. Gosto muito de ler, leio muito. Um livro espetacular que eu tenho é “Os Protocolos dos Sábios de Sião”. O livro é de 1850, um pouquinho menos, mas se você ler esse livro, você terá a certeza de que ele foi escrito essa semana. É algo sensacional. Esse livro foi banido e sumiu. Há alguns anos, alguém reeditou esse livro. É uma obra que eu indico sempre. Outra coisa de que eu gosto muito é fazer palavras cruzadas. Sou louco por isso (risos). Compro todas as novas e, às vezes, faço um livrinho em uma única noite. Também gosto muito de pescar.
JC - E tem muitas histórias de pescador?
Bil - Quando tenho uma folguinha eu vou para o pesqueiro e passo a tarde lá. É a coisa mais linda do mundo. Vou para o Mato Grosso e outros lugares de grandes pescas, agora histórias, histórias, não tenho muitas, não. Quando vou para o Mato Grosso, eu trago apenas um peixe para casa. Os outros eu solto. Meu anzol é sem aquela garra que machuca. Normalmente vamos em caravanas e vamos pescar de chalana. Eu não participo do sorteio dos peixes porque só quero um.
JC - Feiras, pescarias... O senhor é um homem de muitos amigos?
Bil - Graças a Deus, sim. A amizade é tudo. É conhecimento, alegria, compartilhamento das coisas... É um troço faluboloso. Tenho amizades que vêm da infância.
JC - Família.
Bil - Família é algo incrível, espetacular. Eu amo e cuido da minha mãe com muito prazer. Minha família é unida. Só tenho a agradecer diariamente. Nada tenho a reclamar, pois até nos momentos difíceis podemos tirar proveito das lições que surgem.