Ser

Mestres dos tempos modernos


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Na telinha ou na vida real, a figura do professor deixou de ser aquela pessoa inatingível, que tem como único objetivo transmitir os conhecimentos de sua matéria. Agora, o que vale é interagir com os alunos e trocar informações. Essa proximidade aumenta o interesse dos pupilos pelo conteúdo e ambos saem ganhando.

Não é de hoje que vemos professores serem retratados nas novelas, e, apesar de alguns serem vilões, como o Alexandre (Rodrigo Hilbert), que atuaram em Fina Estampa, os bonzinhos prevalecem. É o caso de Vicente, interpretado por Eduardo Pires em Rebelde, ou Letícia, personagem de Tania Khalill, em Fina Estampa. Como não lembrar também a doce professora Helena, vivida por Gabriela Rivero, em Carrossel.

Para Eduardo Pires, o amor é fundamental. "Vicente é apaixonado pelo que faz e isso muda tudo", explica. "Ver alguém fazendo o que ama desperta o interesse das pessoas", conclui. O ator garante que seria um ótimo professor e seguiria pelo mesmo caminho de seu personagem em Rebelde.

"Tem que existir essa relação mais próxima com os alunos, de amizade, cumplicidade, dentro dos limites permitidos, claro!", conta. "Se o estudante não sentir nenhuma conexão, nada acontece. Ele tem que estar ali interessado no que você tem para transmitir", finaliza.

Vida real

Longe do glamour das novelas, quem brilha mesmo são os mestres do dia a dia. É o caso de Alaíde Maria de Souza, 53 anos, professora de biologia do Colégio São Domingos, em São Paulo. Ela sabe separar a hora de ser séria e ensinar a matéria dos momentos de descontração.

Não à toa, ela é a tutora do 3º ano do ensino médio e acompanha de perto o desenvolvimento dos alunos. "Me preocupo com questões que vão além do âmbito escolar", conta Alaíde. "A dinâmica de aula também é fundamental", conclui.

Até quando dava aula em cursinhos, ela buscava uma relação mais legal com os alunos, porque, apesar de estarem todos aflitos com o vestibular, muitos sentiam-se perdidos ou acabavam em depressão no fim do ano. Quanto aos limites dessa relação, ela acredita que o segredo é ter pulso firme. "Eles têm que entender que, apesar da amizade, eu determino as regras", diz.

Para os professores que se colocam acima de tudo e todos, ela é categórica: "Não é preciso ficar em um pedestal para conseguir o respeito dos alunos", explica. "Esses profissionais da educação estão perdendo muito, porque a troca entre aluno e professor é importantíssima. Já dou aula há 30 anos e percebi que eles sempre serão jovens e se você não os entender acaba ficando ultrapassada", conclui Alaíde.

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