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Mulher sem Script?


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O papel da mulher tem passado por transformações nas últimas décadas. Conquistas como melhores empregos e a ocupação de espaços cada vez mais significativos na sociedade se somaram às responsabilidades familiares e deram origem à dupla jornada. De maneira leve e descontraída, a psicóloga Natércia Tiba mostra essa realidade no livro "Mulher sem Script", lançado este mês pela editora Integrare.

"É um livro de crônicas que leva à reflexões sobre nossa própria história e ajuda no autoconhecimento para que nos tornemos responsáveis por nós mesmas e possamos lutar pelo nosso bem-estar, qualidade de vida e relacionamentos saudáveis. Não há análises, apenas amostras de como podemos usar situações corriqueiras para sermos pessoas melhores", diz.

Mesmo tendo como base a psicologia, Tiba conta que escreve como mãe, esposa e profissional. Ela aponta que o livro é um parêntese aberto em meio ao dia a dia para falar e refletir sobre relacionamentos, comportamentos, crenças e valores.

Segundo a autora, a obra também dá voz às angústias que muitas mulheres sentem mas não expressam por julgarem politicamente incorretas ou mesmo por receio de que sejam mal interpretadas. "Meu desejo é aguçar o olhar para pequenos fatos, situações e relações que podem passar despercebidas e também despertar ou reacender a capacidade de percepção que vai além do que vemos no cotidiano", completa.

A prática da culpa

?Mulher sem Script? mostra exemplos reais e comuns do cotidiano feminino, como a crônica "Foi dada a largada", onde Natércia conta sobre a dura e gratificante rotina de levantar cedo para mandar ou levar as crianças para a escola.

Outro exemplo é contado na crônica "Vivendo a vida por inteiro". Nela, a especialista relata o peso que o modelo tradicional feminino ainda exerce. No qual a culpa vem pela obtenção do prazer em realizações no papel profissional e não apenas no papel familiar.

"A culpa ainda é algo muito presente na vida das mulheres, principalmente das que trabalham fora de casa. Temos uma bagagem histórica, social e cultural onde a mãe seria 100% responsável pelos filhos, o que a deixa presa a este papel. Quando entrou no mercado de trabalho, ela percebeu que não seria possível dar conta dos 100% e se sentiu ausente e culpada", analisa.

Segundo explica a psicóloga, muitos outros problemas podem surgir quando a mulher cai na armadilha da culpa e tenta suprir a ausência de outras formas.

"Normalmente, o filho passa a ganhar tudo o que quer e não aprende a lidar com frustrações do tipo não ter o que quer e, ao mesmo tempo, acaba não se relacionando com o próprio sentimento, como a falta da mãe, por exemplo, e a linguagem entre eles deixa de ser afetiva e se torna material" exemplifica.

Entretanto, Tiba destaca que uma mãe pode não estar 100% à disposição do filho e ter uma relação muito saudável com ele. Ela acredita, inclusive, que é saudável que os filhos aprendam e respeitem a vida própria da mãe.

"A impressão que tenho é que precisamos parar, nos olhar e ver qual é o modelo de mãe que nos agrada e nos faz feliz. O mesmo vale para a profissão e para o papel de mulher. Como uma atualização mesmo. As referências femininas continuam, mas não nos escravizam, são referências apenas", finaliza.

Novos tempos de guerra

Quando entrar outubro, Silvio de Abreu, o escritor que retrata São Paulo à maior plateia que a cidade já teve, volta a dominar a faixa das 19 horas da TV Globo com a novela que mudou o histórico do horário. Faz quase dez anos que a vontade de refazer "Guerra dos Sexos" permeia os planos do dramaturgo, e serão quase 30 anos passados da primeira versão, escrita por ele, com direção de Guel Arraes e do mesmo Jorginho Fernando, agora responsável pelo remake.

"Foi a primeira vez que se fez uma novela em que a comédia entrava em primeiro plano", conta o autor, em entrevista realizada em seu apartamento, uma cobertura no bairro dos Jardins, de onde ele alcança vista invejável da cidade que lhe serve de cenário para as crônicas traduzidas em folhetins.

"Todas as novelas da 7 tinham a marca do Cassiano (Gabus Mendes): eram histórias românticas, com personagens suaves. ?Guerra dos Sexos? entrou com uma grande comédia pastelão, que era coisa só da linha de shows. Era novidade, daí por que fez muito sucesso, mas não de cara, é bom que se diga. No início, as pessoas estranharam, houve esse ruído."

Agora, tendo como base o script de 1983, Silvio de Abreu refaz diálogos e situações, mas a história dos primos Charlô/ Charlottee e Bimbo/Otávio lá está, pronta para ser recontada, como clássico que é.

Reportagem - O fato de o remake ser de um enredo seu reduz a cobrança por comparações com o original?
Silvio de Abreu
- Ah, mas vão criticar do mesmo jeito, tem muita gente que já viu e vai criticar, inclusive porque eu estou tomando liberdades que eu não tinha lá.

Reportagem - Como o quê?
Silvio -
As figuras da Fernanda (Montenegro) e do Paulo (Autran) estarão na novela. Na história original, morre um tio, o tio Enrico, de quem havia um retrato em cima da lareira. Esse tio deixa para a Fernanda e o Paulo uma herança grande. Agora, as figuras do Paulo e da Fernanda morrem no começo da novela, no primeiro capítulo, e a imagem deles fica em cima da lareira. Essa morte repercute em Twitter, Facebook, uma morte inusitada, não vou dizer como é (risos). Eles agora é que deixam a herança para dois sobrinhos homônimos, que serão a Irene Ravache e o Tony Ramos. Mas a atriz que fez a Olívia, a empregada da casa, será a mesma: Marilu Bueno. Ela vai se lembrar de muitas cenas. E aí a gente vai brincar com flashbacks, usando as cenas de Paulo e Fernanda. Não muitas, mas as que nos parecem mais divertidas.

Reportagem - Você está usando o roteiro de 30 anos atrás como base?
Silvio
- Uso. As ações eu conservo, os diálogos, estou modificando todos, porque mudaram muito. Palavras que a gente usava há 30 anos já não se usam, como "é uma brasa", "sai dessa", coisas assim. E também a Charlô e o Bimbo eram personagens que tinham uma cabeça anos 40. Hoje eles têm cabeça anos 60.

Reportagem - É, e a casa tinha decoração meio retrô, mas conservadora.
Silvio -
E vai ser assim, porque a casa foi herdada, é a mesma. A decoração é meio inglesa, porque eu preciso de uma certa austeridade para poder brincar. Eles têm armas, armaduras, lareira, só que é outro cenário, né? A gente fez a novela lá na (Rua) Lopes Quintas, tudo apertadinho. Agora tem o Projac, tudo é maior.

Reportagem - Quais as mudanças do País em 30 anos que a nova "Guerra do Sexos" terá de assimilar?
Silvio
- O que muda mais é a relação homem-mulher. Há 30 anos, o homem estava numa posição privilegiada na sociedade e a mulher estava lutando. Hoje em dia a mulher é presidente da República, ela está muito mais acima.

Reportagem - Esse papel da Luana Piovani, a Vânia, meio feminista, muda?
Silvio - Não, ela é a mulher moderna, que não quer casar, quer uma vida sexual livre. Esse personagem vai ficar mais forte porque naquele tempo eu tinha muito problema de censura. Eu ia a Brasília a cada 15 dias para negociar com a doutora Solange.
Tinha um caso de adultério, e adultério em novela era proibido. Pra ter a liberação, não podia haver beijo entre os adúlteros.

Reportagem - O quesito politicamente correto afeta o texto atual?
Silvio -
Muito. Tomo muito cuidado pra não ofender ninguém, as pessoas brigam muito nessa novela. Tem coisas e palavras que não posso usar. Veja que agora não pode nem falar macaco! Não sei se posso falar cigano, não se pode mais falar mentecapto, retardado, isso faz parte de uma mudança da sociedade.

Reportagem - Há referências à instabilidade econômica da época.
Silvio -
Quando fiz a novela, era difícil arrumar emprego, o pobre estava muito mal. Isso muda. A estratégia da Charlô, com a loja dela, era atingir a classe AB. Agora é a classe C que está consumindo mais. Essas coisas estão sendo modificadas.

Reportagem - Também não tinha celular e internet: todo mundo hoje pode ser facilmente encontrado.
Silvio -
Isso é uma dor de cabeça, tem que mudar muita coisa. E aquela coisa de escutar atrás da porta, ter carta escondida, nada mais disso funciona.

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