Foi lançado em março, no Brasil, o filme "Jogos Vorazes", baseado no livro que leva o mesmo nome e que faz parte de trilogia escrita por Suzanne Collins. Não vi o filme, mas li os livros, e os mesmos me surpreenderam. A primeira impressão que tive é a de que a leitura é propícia para o momento que estamos prestes a presenciar: as eleições. Imagine que a história se passa em um mundo fictício, um lugar onde 12 Distritos são liderados por uma Capital. Antes, eram 13 Distritos, mas o 13º provocou o poder da Capital e a mesma o exterminou. Como exemplo para os demais, criou os "Jogos Vorazes", onde um jovem e uma jovem de cada Distrito são colocados numa arena e obrigados a lutar até a morte. Só um sai vitorioso. Porém, numa determinada edição dos Jogos, dois jogadores do Distrito 12 resolvem desafiar a Capital. Logo, os dois saem vitoriosos e depois de muitos outros acontecimentos travam uma guerra contra os idealizadores dos jogos, ou seja, contra a Capital. A autora escreve um romance como pano de fundo, capaz de comover as pessoas, porém, o melhor conteúdo está nas entrelinhas. Esse conteúdo é extremamente político e, na minha opinião, é o que faz os livros serem tão excelentes. Claro que talvez algumas pessoas não percebam a mensagem que a história passa, mas cabe aqui uma reflexão. Em certo momento, um dos protagonistas dos Jogos diz que gostaria de ser mais do que uma pecinha no Jogo deles, que ele queria mesmo era fazer a diferença. E com muito sacrifício, alcança o objetivo, foi formado um grande grupo e foi inevitável a transformação dos Jogos Vorazes em uma guerra pior que os jogos, porém o povo ganhou sua liberdade e se livrou da tirania da Capital. Analise a história e perceba se as eleições não se tornaram um jogo e se durante as eleições passadas não fomos apenas uma peça no jogo "deles". Nunca é difícil prever os resultados de uma eleição. Mesmo antes de apertar o "CONFIRMA" nós já sabemos quem irá vencer o jogo. E parece que isso já não incomoda mais, as eleições deixaram de ser um ato democrático e se tornaram mera formalidade. É necessário muito mais que direito ao voto para modificar uma nação, é necessário coragem para perceber que não somos marionetes nas mãos de poderosos, só seremos se permitirmos. Não é necessário travar uma guerra de sangue, como aconteceu na história acima citada. Afinal, a guerra que enfrentamos é ideológica. Até quando a minoria irá governar maioria? Será que queremos e precisamos sempre das mesmas pessoas e os mesmos partidos no poder? Deve existir alguma forma de revolução que não sacrifique vidas mais do que já são sacrificadas todos os dias pela desigualdade. Termino com a certeza dos protagonistas da história: Mesmo que cheia de traumas e lembranças "a vida pode ser boa novamente!"
A autora, Amanda Dippólito, é pedagoga