Brasília - Diante do risco cada vez maior de o país crescer menos de 3% neste ano, o governo Dilma lançou novas medidas econômicas emergenciais ontem para estimular o crédito para o consumo e os investimentos depois de constatar que as iniciativas já adotadas não foram suficientes para reaquecer a economia.
O setor mais beneficiado foi o automotivo, com ações voltadas para incrementar vendas de carros, ônibus e caminhões. O governo reduziu o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de automóveis, inclusive importados, até 31 de agosto e cortou taxas de juros de financiamentos de ônibus e caminhões no mesmo período.
Com as medidas, que dependem também de um compromisso acertado com bancos e montadoras para a redução de preços ao consumidor, o governo espera ter uma queda de até 10% nos valores dos carros que serão financiados às pessoas físicas.
O governo também reduziu o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) de empréstimos para pessoa física, de 2,5% para 1,5%. A medida, que não tem prazo de vigência, é destinada a estimular o consumo de todo tipo de bem e não apenas de automóveis.
“Todos os principais bancos estavam aqui e celebraram o acordo”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Eu confio na indústria automobilística.”
O custo total das medidas anunciadas ontem é de R$ 2,719 bilhões, incluindo a receita que deixará de ser arrecadada com a redução de impostos e gastos com subsídios do Tesouro para o BNDES.
Mantega disse que, diante do recrudescimento da crise externa, será difícil o país crescer os 4,5% previstos inicialmente pelo governo, “mas o Brasil tem condições de reagir e o crescimento será melhor que o do ano passado”.
Boletim divulgado pelo Banco Central com a média das projeções dos analistas do mercado mostra que a previsão para o crescimento deste ano foi revista de 3,20% para 3,09% na última semana.
Descontos
O governo decidiu liberar também parte do depósito compulsório que os bancos recolhem para o BC, desde que os recursos sejam destinados pelos bancos ao financiamento de automóveis.
As montadoras prometeram dar descontos no preço de tabela cobrado pelos veículos - de 2,5% para carros de mil cilindradas, 1,5% entre mil e duas mil e 1% para utilitários - e fazer promoções. As empresas se comprometeram a evitar demissões.
A equipe econômica anunciou ainda que vai reduzir, de 7,3% para 5,5% ao ano, os juros dos empréstimos do BNDES para a aquisição de máquinas e equipamentos.
Em reunião na semana passada, a presidente Dilma Rousseff e sua equipe econômica concluíram que as ações lançadas no início do ano - como a desoneração da folha de pagamento de vários setores - não surtiram o efeito desejado por causa do agravamento da crise mundial.
O economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio) Carlos Thadeu de Freitas acredita que o nível elevado de endividamento da população pode limitar o efeito das medidas.
“As famílias estão tentando diminuir suas dívidas, e o bancos estão mais cautelosos na liberação de crédito”, afirmou Freitas. “A redução do IOF não muda isso.”