Política

Câmara analisa ETE "condenada"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Os vereadores de Bauru acenderam sinal amarelo para o Departamento de Água e Esgoto (DAE), a partir da publicação de reportagem na edição de ontem do Jornal da Cidade que divulgou o conteúdo de documentos que colocam em xeque o projeto, a concepção e a eficiência da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Candeias, no Núcleo Gasparini. As informações foram obtidas a partir de relatórios da Sanevix Engenharia, empresa contratada para concluir as obras de instalação da ETE.

Apesar da gravidade do assunto, muitos parlamentares se calaram, o que gerou críticas de José Roberto Segalla (DEM). “Eu nem havia me preparado para abordá-lo porque achei que já teria sido esgotado pelos colegas até chegar a minha vez de usar a tribuna”, disparou.

 

O principal ponto, porém, abordado por Segalla e outros vereadores foi o fato de a autarquia não conseguir executar os serviços de tratamento de esgoto sequer para 10% da demanda do município, que equivale a abrangência da ETE Candeias. “Ficamos arrepiados de pensar o que pode acontecer quando forem tratados os outros 90%”, pontuou o vereador.

 

Marcelo Borges (PSDB) trouxe de volta à tona a possibilidade de que o tratamento de esgoto seja alvo de concessão à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São (Sabesp) ou seja gerido por Parceria Público-Privada. “Não sou ambientalista. Pelo contrário, sou desenvolvimentista. Mas defendo que Bauru possa tratar seu esgoto. Somos os maiores poluidores no Estado”, afirmou.

 

O tucano disse ainda que não é possível uma autarquia que não consegue sequer furar poços para exploração construir e administrar uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do porte que o município necessita.

 

 

Massa biológica

 

O tucano Marcelo Borges havia recebido algumas respostas do Poder Executivo, em março de 2012, por ter questionado sobre relatório de eficácia do tratamento de esgoto na ETE Candeias.

 

Apesar de o fim da fase de pré-operação ter sido esperada em dezembro de 2011, o documento disse que ela persistia, pois a massa biológica do reator não estava completamente formada, inclusive a partir da produção de gás metano e lodo excedente.

 

Provocado pela reportagem, Roque Ferreira (PT) opinou que a Comissão de Fiscalização da Câmara Municipal deveria se encarregar das apurações nesse sentido. 

 

O presidente do grupo, vereador Moisés Rossi (PPS), no entanto, classificou o assunto como ‘muito técnico’ e disse que esperava algum tipo de ação do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para averiguar o caso.

 

 

 

Terceirização

 

Questionada pelo JC, a pré-candidata à Prefeitura de Bauru Chiara Ranieri (DEM) não descartou que a terceirização do tratamento de esgoto esteja entre suas propostas. “A gente sabe que do jeito que o DAE está ele não consegue. Então, não vou aceitar meias palavras nem de quem estiver trabalhando comigo para discutir o assunto nem nos discursos dos demais candidatos”, limitou-se a dizer.

 

 

Mudança em lei do hidrante é barrada

 

O governo Rodrigo Agostinho (PMDB) teve uma de suas poucas derrotas na sessão legislativa de ontem. Os parlamentares não aprovaram o projeto do Poder Executivo que aumentava de 1 mil para 5 mil metros quadrados o tamanho mínimo das construções empresariais obrigadas a doarem um hidrante para ser instalado pelo DAE.

 

A lei original, de iniciativa do vereador Gilberto dos Santos (PSDB), foi aprovada no fim de 2010. No entanto, o governo alega que a tubulação da rede de água não suporta os hidrantes. Dos 14 entregues desde a vigência da lei, apenas dois foram instalados pelo DAE.

 

A oposição voltou a atacar a autarquia, alegando que a situação era mais uma prova da incompetência do DAE. “O prefeito não teve coragem de revogar a lei, porque deixar em 5 mil metros quadrados é repetir o que já diz a norma estadual”, pontuou Marcelo Borges (PSDB).

 

Moisés Rossi (PPS) lembrou que não faz sentido o município recusar a doação de hidrantes, mesmo que seja para instalá-los depois de adequações à rede. Já José Roberto Segalla (DEM) ressaltou que, flexibilizando a lei, pouquíssimos hidrantes seriam doados.

 

A base governista, porém, tentou aprovar a lei, mas só conseguiu sete dos 15 votos. Além de Rossi, Carlinhos do PS (PP) votou contra o projeto. Os motivos, porém, não foram muito nobres. O vereador teria confessado a alguns colegas que não vota favorável a mais nada que seja para o DAE. Ele guarda rancores ainda da exoneração de seu apadrinhado Agenor de Souza, no episódio da lavagem das arquibancadas do estádio do Noroeste. 

 

Comentários

Comentários