As críticas ao funcionamento de ‘portas fechadas’ do Hospital Estadual (HE) e da manipulação de vagas para internação pela Central de Vagas, controlada pelo Estado, ganharam força com o depoimento de Tereza Pfeifer, médica do Hospital de Base há 30 anos. Ela afirmou, em audiência pública realizada semana passada na Câmara Municipal, que o HE ‘escolhe’ pacientes.
Pfeifer afirmou que o Base é tratado como o ‘primo pobre’, que recebe toda a demanda de serviços que não é acolhida pelos outros hospitais. Segundo a médica, é muito fácil trabalhar com portas fechadas e pinças para escolher o que vai ou não receber. “Pé diabético podre, não. Dá trabalho, fica um mês internado, vai para amputação, dá influência renal e falência múltipla dos órgãos”, disse ela, em dura crítica ao HE.
Tereza disse ainda que o Estadual prefere se dedicar à realização de mutirões, que consistem em cirurgias ‘limpas’, que dificilmente geram complicações e liberam os pacientes um dia depois. “E se complica, encaminham para o Pronto-Socorro ou para o Base. Não dá para falar em responsabilidade em saúde pública, com uma baita barreira de acesso. Os pacientes não conseguem passar por aquela roleta”, afirmou.